Bird alerta contra aquecimento global

Os mais pobres sofrerão mais e o desenvolvimento será impossível sem levar em conta políticas para se adaptar à mudança climática. Essas são as principais conclusões de um estudo a ser divulgado hoje pelo Banco Mundial (Bird) sobre o que pode acontecer no mundo se a temperatura média global, em 2100, aumentar 4°C.

O relatório detalha mais os possíveis cenários de catástrofes: ondas de calor extremo durante quase todos os meses de verão em muitas regiões da Terra e o mar inundando cidades em Moçambique, Madagascar, México, Venezuela, Índia, Bangladesh, Indonésia, Filipinas e Vietnã. A agricultura, os recursos hídricos, a biodiversidade e a saúde das pessoas serão gravemente afetados. A segurança alimentar estará ameaçada. Deverão ocorrer deslocamentos populacionais em larga escala.

Isso é o que diz o estudo feito por pesquisadores dos centros Potsdam Institute for Climate Impact Research (PIK) e Climate Analytics, respondendo à solicitação do Banco Mundial.

“O mundo caminha rapidamente para ficar até 4 graus mais quente no final deste século se a comunidade internacional global não tomar medidas em relação à mudança do clima, o que desencadeará uma série de alterações incontroláveis”, avisa o relatório que sai poucos dias antes do início de mais uma rodada de negociações por um tratado climático internacional. O encontro acontece em Doha, no Qatar, no fim do mês.

“Turn Down the Heat: why a 4°C warmer world must be avoided”, chama-se o relatório – “Reduza o Aquecimento: por que um mundo 4°C mais quente deve ser evitado” -, que menciona as incertezas sobre os impactos de um mundo mais quente, mas é rico em detalhes do que pode acontecer. Doenças e poluentes podem ser espalhados pela rede de água no caso de inundações, por exemplo. “Simplesmente não podemos permitir que a previsão de mais 4°C aconteça”, conclui o trabalho.

“O estudo revela, em primeiro lugar, que a ciência é inequívoca”, disse o presidente do Banco Mundial, Jim Yong Kim, antes de começar a listar o que já está acontecendo: a temperatura global média já aumentou 0,8 °C em relação aos índices pré-industriais e os oceanos aqueceram 0,9 °C desde 1950. Kim lembrou que as promessas que existem hoje, de corte de emissões de gases-estufa feitas pelos países, levam o planeta a uma trajetória de aquecimento de 3°C em 2100, mesmo se cumpridas à risca.

“Sabemos que a meta de chegar a 2°C de aquecimento adotada pela comunidade internacional já trará sérios danos e riscos, particularmente aos países mais pobres e vulneráveis”, disse o coreano que assumiu o Banco Mundial em julho, depois de ter sido indicado pelo presidente Barack Obama.

A onda de calor que a Rússia sofreu em 2010 e que causou milhares de mortes, quebra de 25% da safra e perdas de US$ 15 bilhões, fenômeno que deveria ocorrer raramente, será “a nova rotina” em algumas partes do mundo, exemplifica o relatório. Nesse cenário, o nível do mar pode subir de 50 a 100 centímetros até 2100. A única forma de evitar processos que podem ser irreversíveis é “quebrar com os padrões de produção e consumo da era dos combustíveis fósseis”, afirmou Hans Joachim Schellnhuber, diretor do PIK.

Por: Daniela Chiaretti
Fonte: Valor Econômico

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Um comentário em “Bird alerta contra aquecimento global

  • 19 de novembro de 2012 em 23:19
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    SOS DOS SERES AINDA VIVOS
    Cidadãos brasileiros e de todo o planeta, há urgência para que todos, a começar pelos paulistas e principalmente pelos profissionais administrativos, técnicos, cientistas, demais agentes do serviço público das esferas municipais, estaduais e federais, bem como por todos os demais cidadãos cônscios de sua responsabilidade como seres humanos co-participantes da contínua luta pela sobrevivência neste planeta, se unam para impedir que um pequeno grupo de ocupantes de cargos, eletivos ou não, concretize o terrível crime contra a humanidade que poderá ser sacramentado com a aprovação do projeto de lei nº604, de 2012 !
    Trata-se da tentativa do Governo do Estado de eliminar uma área de cerca 835.316,80 m2 do Parque Estadual das Fontes do Ipiranga, mediante “argumentos” do tipo:
    a) “Tornar possível o aproveitamento dessa área para construir hotel e parques de eventos e shows, para facilitar ao Estado de São Paulo melhor condição de concorrência, nesse ramo de eventos, com Rio de Janeiro e com a capital da Argentina”;
    b) “A área em questão já sofreu a perda de algumas árvores e, por isso, não se justifica mais preservá-la como Parque de Preservação Permanente, podendo-se, então, efetuar uma devastação ainda maior”.
    Fica claríssimo que o referido projeto de lei e suas “justificativas” representam uma ação que afronta de forma cega e sorrateira o grito emanado pela maioria absoluta das nações do planeta Terra, face à sua deterioração provocada por atitudes de seres gananciosos, além de insensíveis a tudo aquilo que não significa vantagem apenas para si.
    A gravidade do ato fica ainda maior por se tratar de uma área que deveria ter sido melhor protegida, pelo Estado, ao longo das últimas décadas, principalmente por ser uma das poucas áreas de oxigenação que o já sufocado município de São Paulo ainda possui.
    Obviamente, não é preciso estudar medicina para compreender a importância do oxigênio para a respiração saudável dos seres vivos e que, por obra divina, esse elemento é fornecido contínua e graciosamente pelas plantas em geral. E é principalmente por esse motivo que todo ser humano, com a mente minimamente saudável, deveria se preocupar não apenas em preservar, mas também em viabilizar o aumento da flora e, nunca, destruí-la.
    O projeto em questão, ainda mais, representará um custo estimado em R$ 346 milhões, enquanto faltam recursos para aplicação nos serviços de saúde, em situação já bastante precária, a exemplo do que se vê nos serviços do Hospital IAMSPE, entre outros.
    Por tudo isso, fica difícil entender como é possível que o mencionado projeto de lei tenha sido encaminhado por alguém que, sabidamente, deveria ser bastante esclarecido quanto às questões ambientais, já que há muito tempo labuta na vida pública e política deste País e que, além disso, é formado em medicina.
    Em 28/11/2012, às 14:00 horas, haverá uma audiência pública nas dependências da Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo, onde todas as pessoas interessadas poderão saber de todos os detalhes sobre este assunto e participar das discussões.
    Cada cidadão poderá, ainda mais, se utilizar também de outros meios disponíveis e possíveis para melhor e maior alerta a toda a população, quanto a essa tentativa de crime contra toda a humanidade.
    AGROESP- Associação dos Assistentes Agropecuários do Estado de São Paulo

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