Busca por certificação transforma gestão e traz eficiência às fazendas

As mudanças implementadas na gestão agrícola das fazendas de café que obtiveram o certificado Utz Certified levaram a uma redução nos custos de produção de 10% e um aumento em torno de 5% nos preços pagos. “A produtividade dessas fazendas cresceram em torno de 10% em um período de dez anos”, diz o consultor e representante da Utz Certified no Brasil, Eduardo Sampaio.

Segundo ele, o resultado decorre da introdução de 175 pontos de controle nas fazendas, parte integrante do código de conduta da empresa. Sampaio afirma que não é necessário utilizar equipamentos de alta tecnologia nem softwares específicos para seguir as regras da certificação. “Nosso trabalho pode ser feito em softwares normais e em planilhas com papel e caneta”, diz.

Entre os objetivos da Utz estão a implementação de uma gestão agrícola profissional, controle de qualidade dos processos de produção, capacitação dos colaboradores e a construção de um relacionamento de longo prazo com produtores e consumidores. “Nem todos os produtores precisam passar por todas as fases. Muitos já estão adaptados aos processos de boas práticas”. Porém, outros precisam iniciar o processo através de análise de solo para plantio, correção com defensivos nas quantidades adequadas, eliminação de pés de café mais velhos e plantio ajustado às condições de solo e água.

Todo o processo de certificação da Utz tem um prazo de quatro anos, mas a partir do primeiro ano a fazenda já recebe o certificado pelas boas práticas introduzidas. Atualmente a Utz certifica 100 mil hectares de café, responsáveis pela produção de 3,5 milhões de sacas. “São mais de 200 fazendas”, diz.

Uma delas é a Fazenda Ponto Alegre, em Cabo Verde (MG). Eduardo Lima de Souza, engenheiro agrônomo e um dos proprietários da Ponto Alegre, afirma que a certificação garantiu um crescimento de até 20% na eficiência da fazenda com a melhoria da gestão. “A Utz controla e certifica os procedimentos e não a qualidade do produto. Mas se as boas práticas ambientais e agrícolas forem aplicadas, temos um bom produto e uma abertura maior para o mercado externo”, afirma. A Ponto Alegre exporta para os Estados Unidos, Europa e Japão.

Com a certificação, que a fazenda tem desde 2004, Souza diz que o desperdício de materiais caiu de forma significativa em função da gestão aprimorada. “Os benefícios são muitos, desde a maior eficiência da gestão até a redução de custos e o prêmio pago pelo produto certificado”. Para Luiz Roberto Rodrigues, da Fazenda Califórnia, no Paraná, também certificada pela Utz, há benefícios de curto, médio e de longo prazo. “Além da melhor gestão, eficiência e preços, as adequações decorrentes do processo trazem segurança jurídica ao produtor na questão sócio-ambiental e conduzem à criação de um enorme patrimônio social e humano dentro da fazenda, com profissionais capacitados, melhor remunerados e mais satisfeitos, o que gera mais ganhos com o tempo”.

Com foco maior nas questões sócio-ambientais, a Rainforest Alliance faz atualmente a certificação de mais de 250 fazendas de café, que somam cerca de 60 mil hectares. “As fazendas que atendemos vão desde a agricultura familiar até grandes propriedades”, diz Eduardo Trevisan, secretário executivo da Imaflora, instituto responsável pela certificação no Brasil. Segundo ele, um dos requisitos para a atuação da Rainforest é haver um plano ambiental por parte do produtor. “Nós controlamos a preservação da reserva legal quando ela existe e também orientamos o reflorestamento”, diz. Além disso, a certificadora avalia as condições dos alojamentos dos safristas em quesitos como acesso à alimentação e água potável. “Muitos produtores nos procuram porque precisam se adequar, outros porque querem melhorar sua gestão”.

Francisco Sérgio de Assis, produtor e presidente da Federação dos Cafeicultores do Cerrado, que emite a certificação Região do Cerrado Mineiro, diz que seu principal objetivo é dar ao café um selo de origem e qualidade. “Por isso, trabalhamos em parceria com as outras certificadoras de forma complementar”.

Por Eduardo Magossi
Fonte: Valor Econômico

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