Confronto entre índios e agentes da PF deixa 8 feridos

Um conflito entre índios caiabis e agentes da Polícia Federal deixou ontem um saldo de oito feridos – seis indígenas e dois policiais – às margens do rio Teles Pires, norte de Mato Grosso.

De acordo com a Polícia Federal, o confronto ocorreu pela manhã, quando policiais explodiam uma balsa usada pelos índios para extração ilegal de ouro no rio.

A balsa pertencia a um cacique conhecido como Camaleão. Os índios chegaram atirando e lançando flechas, ainda segundo o relato da PF, e os agentes então revidaram.

No fim da tarde de ontem, segundo a direção do Hospital Regional de Alta Floresta, no extremo norte do Estado, nenhum dos índios feridos corria risco de morte.

Dois índios caiabis foram feridos a bala no braço, perderam muito sangue e ficaram em situação crítica até receberem os primeiros atendimentos no hospital.

Um deles foi operado em Alta Floresta, enquanto o outro seria levado ontem à noite para Cuiabá, para passar por cirurgia vascular. Não havia informações sobre os outros índios feridos.

De acordo com a direção do hospital, os dois policiais, feridos a flecha, permaneceram acampados na base montada pela PF na área da operação, a pouco mais de 200 km da sede de Alta Floresta.

MOTIVO

Ainda não há informações sobre o motivo da reação dos índios: se defendiam o patrimônio, no caso, a balsa, ou se teriam ficado contrariados com uma suposta ação truculenta dos policiais na ação.

Ontem, no fim da tarde, a PF deslocou de carro e de avião cerca de 30 homens para Alta Floresta. Eles foram remanejados de Cuiabá, capital do Estado, e de Sinop, no norte mato-grossense.

Hoje pela manhã esse reforço deve seguir para o local do conflito com os índios.

Essa operação da PF na região do rio Teles Pires, batizada de Eldorado e que havia começado um dia antes, foi desencadeada contra a extração de ouro em garimpos e terras indígenas na divisa entre Mato Grosso e o Estado do Pará.

Com o conflito, a operação foi supensa temporariamente, segundo a PF.

A operação buscou cumprir 28 mandados de prisão e 64 de busca e apreensão, em sete Estados (Mato Grosso, Pará, Rondônia, Amazonas, São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul).

Segundo a PF, o ouro extraído de áreas indígenas e garimpos ilegais era comprado por empresas do mercado financeiro e vendido a investidores em São Paulo.

A apuração começou em fevereiro deste ano. Somente uma das empresas investigadas, segundo a PF, movimentou mais de R$ 150 milhões no período.

Os suspeitos deverão responder por crimes ambientais e contra a ordem econômica, além de lavagem de dinheiro.

Por: Reynaldo Turollo Jr.  e Rodrigo Vargas
Fonte: Folha de São Paulo

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