Tegram começa a sair do papel no MA

Depois de quase uma década desde que o projeto foi concebido, o Terminal de Grãos do Maranhão (Tegram), no Porto do Itaqui, em São Luis (MA), começa a sair do papel com a oficialização, hoje, do lançamento das obras civis. O Tegram é o mais importante empreendimento do país para o escoamento dos grãos produzidos no chamado arco Norte, notadamente no Centro-Oeste, Norte e Nordeste.

Quando pronto, tenderá a acabar com a irracionalidade do fluxo da exportação do agronegócio brasileiro, cuja esmagadora maioria dos volumes percorre um ilógico caminho para sair pelos portos do Sudeste e Sul.

O terminal terá capacidade para movimentar até 10 milhões de toneladas, ampliando o potencial futuro do porto do Itaqui para movimentar 15 milhões de toneladas de grãos, o equivalente a um terço da capacidade instalada para exportações de granéis sólidos pelos portos das regiões Norte e Nordeste.

Atualmente, a oferta de escoamento do Itaqui para esse tipo de carga, de aproximadamente 2,5 milhões de toneladas, já está tomada, diz o presidente da Empresa Maranhense de Administração Portuária (Emap), Luiz Carlos Fossati, que arrendou à iniciativa privada a construção e exploração do terminal.

O Tegram é um investimento de R$ 322 milhões feito em parceria pela Glencore, CGG Trading, Consórcio Crescimento (formado pela francesa Louis Dreyfus Commodities e a Amaggi Exportação) e NovaAgri. Juntas, as empresas ofereceram R$ 143,1 milhões pelo direito de explorar o terminal por 25 anos, renováveis por igual período.

O terminal maranhense ocupará uma área de 161.308 metros quadrados que abrigará quatro armazéns de estocagem de granéis sólidos. Ao todo, a oferta estática de armazenamento será de 500 mil toneladas, distribuídas igualmente entre as quatro unidades. Quando em operação com a capacidade total, o terminal será servido por dois berços de atracação – um já existente, o 103, e outro recém-inaugurado, o 100. Cada um deles tem 320 metros de extensão e possibilidade de receber navios com até 15 metros de calado.

O Tegram será construído em duas fases. A estimativa é que a primeira, para 5 milhões de toneladas, esteja pronta até o fim de 2013. A segunda etapa adicionará mais 5 milhões de toneladas e será erguida conforme a demanda, mas a projeção é que esteja operacional em 2019. “Sabemos que existe uma demanda reprimida no Sul do Maranhão e no Centro-Oeste porque hoje a maior parte do escoamento é feita pelos portos do Sul e do Sudeste”, afirma Fossati.

Em 2011, o porto do Itaqui ficou em 6º lugar no ranking dos principais exportadores de soja do Brasil. Quando o Tegram estiver a pleno vapor, a expectativa é que Itaqui pule três posições, ficando atrás apenas de Santos e Paranaguá, respectivamente primeiro e segundo. E seja a principal porta de saída do Norte e do Nordeste para o agronegócio.

“O Tegram vai desafogar os portos do [região] Sul e, com isso, tornar a produção do Norte mais competitiva”, afirma o presidente da Emap.

Por Fernanda Pires
Fonte:Valor Econômico

Deixe um comentário

Um comentário em “Tegram começa a sair do papel no MA

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*