Brasil alerta para risco de fracasso em Doha

“Esta é a mais longa negociação neste processo. Poderia ter terminado há vários anos, mas não aconteceu. Não podemos mais continuar nisso”, disse o experiente negociador brasileiro Luiz Alberto Figueiredo Machado, ontem em Doha, no Qatar. Ele se referia à negociação do segundo período do Protocolo de Kyoto, peça-chave para o sucesso da conferência do clima da ONU. “Se isso não acontecer, temo que o resto possa não acontecer. Infelizmente será um impasse nas negociações internacionais de combate à mudança do clima. E ninguém quer isso.”

A rodada ministerial da COP18 começa hoje, e há muito em aberto. Não se chegou a um consenso sobre a duração da segunda fase de Kyoto, as metas de corte e o que acontece com países que não farão parte do acordo como Rússia, Japão e Nova Zelândia. Também é preciso definir temas delicados como transferência de tecnologia, florestas e finanças, por exemplo.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu ontem aos negociadores em Doha, que mostrem “um forte compromisso político” com a redução nas emissões de gases causadores do efeito estufa.

“Esperamos que haja um forte compromisso político dos líderes presentes neste encontro”, afirmou Ban, notando que havia “sentimentos divergentes” entre os negociadores de quase 200 países, no encontro que vai até a sexta-feira.

Cerca de 100 ministros e alguns chefes de Estado estão em Doha para a reta final da reunião, marcada por divergências sobre valores e compromissos para reduzir as emissões de gases-estufa. “Ainda não temos grandes decisões, porque, nestas conferências, elas costumam ser tomadas mais no final da semana”, disse Figueiredo.

Por: Daniela Chiaretti
Fonte: Valor Econômico

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