Governo tentará leiloar usina de Sinop em 2013

A demanda no leilão de energia “nova”, de projetos de geração que estarão concluídos em 2017 (A-5), foi 40% inferior às previsões mais pessimistas e frustrou até mesmo Mauricio Tolmasquim, presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), ligada ao Ministério de Minas e Energia (MME). Foram vendidos apenas 574,3 MW, ou 4% do total ofertado na sexta-feira. Os consultores esperavam que fossem comercializados entre 2 mil MW e 1 mil MW pelo menos.

Ainda assim, segundo Tolmasquim, o governo pretende realizar leilões de energia no início do ano que vem, de projetos que entram em operação tanto em 2016 (A-3) quanto em 2018 (A-5). O MME tentará, sobretudo, tirar do papel a hidrelétrica de Sinop, no Mato Grosso, que não conseguiu ser licitada na sexta-feira devido à falta de interesse das distribuidoras em adquirir novos contratos de energia.

O governo se desdobrou para derrubar a liminar que questionava as licenças de Sinop, que possui uma potência instalada de 400 MW. A liminar só foi suspensa minutos antes do leilão. Apesar dos esforços, a usina não conseguiu chegar à fase final, mesmo tendo despertado o interesse inicial de cinco investidores – três consórcios e duas empresas. “Vamos colocá-la em leilão no começo de 2013. Temos uma usina pronta e temos interessados”, disse Tolmasquim.

A única usina nova licitada na sexta-feira foi a de Cachoeira Caldeirão, no Amapá, que foi vencida pela EDP. A hidrelétrica possui potência instalada de 219 MW e custará R$ 866 milhões. A energia da usina foi vendida por R$ 95,31 por Mwh. A EDP também comercializou no leilão uma energia adicional 73,4 MW da usina de Santo Antônio do Jari por R$ 82 por Mwh.

As demais quatro hidrelétricas inscritas no leilão, localizadas na bacia do Parnaíba, encalharam. Segundo Tolmasquim, as usinas foram ofertadas a pedido do Piauí, mas os projetos não despertam interesse dos investidores nas atuais condições do mercado. As usinas serão excluídas do próximo leilão.

Apesar da pouca demanda, Tolmasquim comemorou o número de projetos que disputaram o leilão, o que ele considerou ser uma “demonstração cabal” do interesse dos investidores mesmo após a Medida Provisória 579, que derrubou as ações das elétricas. “Ao contrário do que muitos querem fazer entender, existe um grande interesse na expansão do setor elétrico brasileiro”, disse Tolmasquim.

Dos 574 MW vendidos, 282 MW foram de parques eólicos, cujo preço atingiu o menor patamar da história, de R$ 87,94 por Mwh.

Para Tolmasquim, a fraca demanda no leilão não é um termômetro da economia. Segundo ele, as distribuidoras possuem 2 mil MW de contratos de energia comprados do grupo Bertin, cujas térmicas não foram construídas. O governo tenta extinguir esses contratos na Justiça. Quando isso for feito, as distribuidoras precisarão comprar novamente.

Por Claudia Facchini
Fonte:  Valor Econômico

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