Cianport é aposta de tradings regionais

A Cianport foi criada há apenas um ano com o único objetivo de explorar as oportunidades do corredor logístico BR-163-Rio Tapajós. A companhia é uma joint-venture entre Fiagril e a Agrosoja, duas comercializadoras de grãos de Mato Grosso.

As duas empresas possuíam terrenos vizinhos em Miritituba desde o ano 2000 e, no ano passado, resolveram integrar seus projetos. “Desde o início da soja em Mato Grosso já vislumbrávamos uma saída pelo Norte, mas o projeto só ganhou viabilidade com o avanço das obras de pavimentação da BR-163”, afirma Jaime Binsfeld, presidente da Fiagril.

Há dez anos, lembra o executivo, a Cargill enfrentava pressões de ambientalistas para se instalar em Santarém (PA). “Percebemos que a ida para o Norte seria complicado, então olhamos para Itaituba, uma área com vários terrenos já abertos às margens do Tapajós, e resolvemos apostar”, afirma.

Juntas, Agrosoja e Fiagril movimentam cerca de 2 milhões de toneladas de soja e milho por meio das chamadas operações de barter – troca de insumos por produção agrícola.

Além de uma estação de transbordo, em Miritituba, a Cianport prevê construir um terminal privativo na ilha de Santana (AP) para receber e exportar essa produção. Por enquanto, a companhia possui um contrato de uso temporário no Porto de Santana, que é público.

Para Binsfeld, o novo corredor deve proporcionar uma economia de pelo menos 10% a 15% nos custos de frete dos produtores mato-grossenses. “Independentemente da economia, é uma alternativa que se abre. As opções atuais estão esgotadas”, afirma. Segundo ele, um carregamento de soja chega a demorar quatro dias no percurso entre Lucas do Rio Verde e o porto de Paranaguá.

Além disso, prevê, o eixo deve viabilizar a expansão da fronteira agrícola para os municípios localizados entre o norte de Mato Grosso e o sul do Pará.

Fonte: Valor Econômico

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