Prefeituras do Marajó sofrem desmontes

Após o período eleitoral de disputas acirradas pelas prefeituras municipais, o arquipélago do Marajó agora convive com a difícil situação dos gestores que assumiram os mandatos no primeiro dia deste ano e são obrigados a conviver com uma situação que já se tornou comum: prefeitos que deixam os mandatos e arrasam com a estrutura municipal, fazem verdadeiras dilapidações do patrimônio público na tentativa de inviabilizar o mandato do adversário para quem perdeu o cargo.

Além de a equipe dos prefeitos anteriores levar tudo o que pode quando deixa os cargos, ainda danifica os computadores para que os dados da administração não sejam acessados pelo novo gestor, segundo confirmam as denúncias que as delegacias de polícia do Marajó estão recebendo. Infelizmente tem sido assim em todo o Pará: prefeito de partidos variados fazendo do patrimônio público o quintal de sua casa. No Marajó, a situação se torna mais dramática por causa da condição de pobreza dos municípios.

Vários deles figuram todos os anos na lista dos mais pobres do País. Esse é o caso de Curralinho, apontado pelo IBGE como o pior PIB per capita do Brasil. Os problemas são comuns. Além de dilapidarem equipamentos, documentos e dados eletrônicos, especialmente de licitações de obras, os prefeitos saem deixando servidores sem receber salários, muitos deles desde o mês da eleição e ainda o décimo terceiro salário.

O prefeito atual de Curralinho, Léo Arruda (PT), elaborou esta semana relatório sobre as mazelas encontradas no município e assegura que vai enviar ao Ministério Público e que já apresentou denúncia à Polícia Civil contra o gestor anterior, Miguel Pureza Santa Maria (PSDB). O município, que não tem renda fixa – todo o orçamento de R$ 2,5 milhões mensais é oriundo do repasse de verbas federais -, foi entregue a ele com menos de R$ 1 mil em caixa; limpeza pública parada há três meses; dívidas com fornecedores, entre outros problemas.

Curralinho se situa no estreito de Breves e tem 142 anos de existência, mas, segundo o prefeito, sequer prédio próprio a prefeitura dispõe. Todas as secretarias funcionam em prédios alugados. Além disso, desde o final da eleição, afirma Arruda, não houve renovação de contratos dos médicos que atuam no hospital municipal. Ele teve que contratar dois médicos esta semana em regime de urgência para atender parte da demanda.

Fonte: Diário do Pará

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