Tragédia no RS expõe segurança de estádios e casas noturnas no AC

Por causa da tragédia em Santa Maria (RS), onde 231 pessoas morreram numa boate na madrugada de domingo (27), o governo do Acre decidiu convocar uma reunião com donos de boates de Rio Branco, a capital do Estado, para pedir que deixem os estabelecimentos abertos nos próximos dias para que sejam fiscalizados pelo Corpo de Bombeiros.

Também pesou na decisão do governador as manifestações da sociedade, intensificadas desde domingo, contra as condições das duas boates mais frequentadas da cidade, que funcionam sob torre de energia de alta tensão e em posto de gasolina, ambas sem saídas de emergência.

Para que as boates continuem funcionando, segundo o governo, os proprietários terão que se adequar às exigências estabelecidas na Lei Estadual 1.137, que dispõe sobre segurança contra incêndio e pânico.

Há cinco anos, a população faz alertas e críticas contra o perigo de boates que funcionam em Rio Branco em desacordo com a lei estadual.

Porém, o governo estadual, que construiu e administra o estádio Arena da Floresta, também desrespeita a lei e o Estatuto do Torcedor. Ele tem feito de tudo para manter funcionando o estádio, que tem capacidade para 13,3 mil torcedores.

Governo, diretores de clubes e torcedores costumam se unir quando a promotora Alessandra Marques, da Promotoria de Defesa do Consumidor, vem à público alertar que o estádio Arena da Floresta pode ser interditado por falta da documentação exigida pelas normas de funcionamento, previstas no Estatuto do Torcedor.

Em julho de 2011, por causa de problemas sanitários, falhas de engenharia e segurança, a promotora pediu que dois jogos das séries C e D do Campeonato Brasileiro fossem realizados com os portões do estádio Arena da Floresta fechados.

A promotora, que foi alvo de uma dura campanha de desaprovação na mídia, patrocinada por políticos, diretores de clubes e governo estadual, há menos de 15 dias voltou a alertar sobre a situação de segurança em dois estádios de Rio Branco.

Antes de pedir à Justiça a interdição de estádios no Acre, a promotora Alessandra Marques declarou:

– Vou exigir a documentação prevista na lei, apenas isso.

O governo do Acre vai convidar para a reunião o dono da boate Priquitinho, também conhecida como Curral das Éguas, no cruzamento da rodovia AC-10 com Antonio da Rocha Viana – “a rua que virou avenida”, de acordo com placa fixada pelo então governador Jorge Viana. De madeira, com pouco mais de um metro de pé de direito, lá tudo é muito apertadinho, sem a menor segurança.

Por: Altino Machado
Fonte: Terra Magazine/ Blog da Amazônia 

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