Boate Xingu: MPF/PA inicia investigação sobre exploração sexual em Belo Monte

O procedimento iniciado hoje vai averiguar a existência de trabalho escravo, crime de competência federal

O Ministério Público Federal no Pará (MPF/PA) abriu uma investigação nesta segunda-feira, 18 de fevereiro, sobre os casos de exploração sexual de mulheres e adolescentes, descobertos na região das obras da usina de Belo Monte, entre Altamira e Vitória do Xingu, na última quinta-feira, 14 de fevereiro. Na ocasião, a Polícia Civil do Pará e o Conselho Tutelar de Altamira libertaram 17 mulheres e uma menina de 16 anos de um prostíbulo próximo a um dos canteiros do empreendimento.

Na sexta-feira, 15 de fevereiro, a operação policial encontrou mais 14 mulheres vítimas de exploração sexual em boates de Altamira. No total, 32 mulheres foram libertadas até agora. A investigação do MPF/PA vai apurar, ainda, a existência do crime de trabalho escravo, previsto no artigo 149 no Código Penal e de competência da Justiça Federal.

A procuradora da República Thais Santi, de Altamira, já requisitou cópia do inquérito que a Polícia Civil conduz sobre o caso. As vítimas também devem ser ouvidas pelo MPF em Belém e Altamira nos próximos dias.

Como parte da investigação, o MPF/PA enviou ofícios à Norte Energia e ao Consórcio Construtor de Belo Monte, questionando sobre a localização da casa de prostituição, considerando o perímetro de desapropriação da usina de Belo Monte. A procuradora quer saber se o local onde as meninas estavam aprisionadas ficava dentro dos limites da área que o governo federal destinou à Belo Monte, por meio de um Decreto de Utilidade Pública.

Fonte: MPF – Ministério Público Federal

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Um comentário em “Boate Xingu: MPF/PA inicia investigação sobre exploração sexual em Belo Monte

  • 19 de fevereiro de 2013 em 16:30
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    Srs
    Esse é outra problema que surge certamente em torno dessa e de outras construções similares, para o que as autoridades competentes deverão estar sempre conectadas no sentido talvez não de permitir que casos como êsses aconteçam, porquanto sempre que há situações desta especie ela por si só já atraem procedimentos desta especie. Só que é importante se averiguar os exageros, isto é, situações forçadas ou mesmo alguma iniciativa que venha a atingir nações indigenas, p.exemplo, como constatado com Ianomanis, há meses atras.
    Portanto é necessario cada vez mais a presença de órgãos competentes ligados aos MPF, Policia Federal, organizações de defesa à mulher, em tais circunstancias, evitando assim quaisquer especies de exageros – processos normais normalmente vinculados à grande influencia do capital que ali se injeta e movimenta ( grandes construções, mineradoras etc etc).
    Cordiais saudações

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