O papel da Embrapa

O desenvolvimento de uma tecnologia própria, que evolui permanentemente, foi o divisor de águas para o Brasil deixar um passado de importador de alimentos para se consagrar como potência agrícola, disputando os maiores mercados globais. E, dentro desse esforço bem-sucedido, a criação da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), em dezembro de 1972, foi decisiva.

A estatal é considerada, dentro e fora do governo, um fator crucial para impulsionar a produtividade de uma ampla lista de materiais genéticos patenteados, além de um profundo conhecimento das vantagens e limitações nacionais de solo, de clima e de recursos humanos. Ao todo, são 47 unidades descentralizadas espalhadas pelo país, das quais 14 dedicadas a produtos agropecuários específicos.

Na época, o Ministério da Agricultura debatia a falta de conhecimentos técnicos para repasse aos agricultores. O então ministro Luiz Fernando Cirne Lima constituiu grupo de trabalho para propor nova legislação. Em dezembro, o presidente da República, Emílio Garrastazu Médici, sancionou a Lei nº 5.851, que instituía a empresa pública vinculada ao Ministério da Agricultura.

Parcerias

O primeiro presidente, José Irineu Cabral, tomou posse em abril de 1973 e criou o Departamento Nacional de Pesquisa e Experimentação (DNPEA) para coordenar todos órgãos já existentes. Passados 40 anos, a contribuição da estatal é inegável, com atuação até no exterior. Mas a Embrapa tem perdido espaço em alguns ramos, como o de sementes transgênicas, e ainda luta para melhorar as parcerias com grandes produtores e outros pesquisadores.

“A interação com o setor privado é fundamental para superar gargalos e compreender a demanda do mercado”, avalia o chefe-geral da Embrapa Agroenergia, Manoel Teixeira Souza Júnior. Segundo ele, a estatal sempre conseguiu bons resultados ao enviar pesquisadores ao exterior e participar de projetos de pesquisa com terceiros, alguns apoiados por linhas do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Os melhores avanços têm sido obtidos graças à presença dos técnicos graduados em campo. A expectativa é que haja uma melhor interação entre os centros de desenvolvimento da Embrapa com a iniciativa privada.

Fonte: Correio Braziliense

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