Testes ‘são robustos o suficiente’, diz especialista

Os alimentos geneticamente modificados disponíveis no mercado internacional não representam um risco à saúde maior do que o apresentado por alimentos obtidos através de técnicas tradicionais de cruzamento agrícola.

Essa é a posição de entidades como a Organização Mundial da Saúde (OMS), a Organização das Nações Unidas para Alimentação e para Agricultura (FAO), o Comissariado Europeu para Pesquisa, Inovação e Ciência e várias das principais academias de ciência do mundo.

A OMS diz que até hoje não foi encontrado nenhum caso de efeito sobre a saúde resultante do consumo de alimento geneticamente modificado (GM) “entre a população dos países em que eles foram aprovados”.

A Comissão Europeia, braço executivo da União Europeia (UE), reforçou essa posição quando divulgou, em 2010, o resultado de quase uma década de análise de 50 projetos de pesquisa financiados pela UE sobre a segurança dos alimentos Gms para a saúde humana, animal e do meio ambiente.

Segundo o documento, alimentos Gms “não oferecem risco maior à saúde humana e animal ou ao meio ambiente do que plantas ou organismos convencionais”.

Os sinais são de que hoje parece haver um consenso na comunidade científica sobre a segurança dos alimentos GM, mas essa confiança claramente se aplica mais aos testes e protocolos de biossegurança do que aos alimentos em si.

“Na comunidade científica existe um consenso de que os métodos de avaliação são suficientemente robustos para demonstrar a segurança ou não desses produtos”, disse à BBC Brasil o responsável pelo laboratório de engenharia genética da Embrapa, Francisco Aragão.

Para o especialista, os protocolos de biossegurança em vigor, baseados em análises de caracterização molecular e comparações de DNA de plantas modificadas com DNA de plantas não modificadas da mesma espécie, “são tão confiáveis quanto os protocolos para analise de qualquer outro alimento”.

Feijão à prova de vírus

A Embrapa é a primeira instituição não-privada do país a desenvolver e a conseguir autorização para comercialização de uma planta transgênica – um feijão resistente a um vírus que deverá ser distribuído a fazendeiros feijoeiros a partir de 2014.

Se essa variante, aprovada pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança, a CTNBio, em em 2011, deu certo, o mesmo não pode ser dito de um outro tipo de feijão que foi “reprovado” nos testes de segurança.

“Geramos um feijão no início dos anos 90”, conta Aragão, “com uma proteína que vem da castanha do Pará chamada de 2F”.

“Quando começamos a seguir o protocolo de biossegurança, descobrimos que essa proteína 2F tinha potencial de ser alergênica…com isso, nós paramos.”

Casos como esse, de produtos que foram abandonados nos laboratórios depois de se mostrarem danosos para a saúde, poderiam ser vistos como prova dos perigos inesperados de modificações genéticas.

Mas, para Aragão, o caso deve ser visto como uma prova da eficácia dos protocolos de biossegurança. “Qualquer experimento pode dar errado”. “Isso serve para automóveis, geladeiras, celulares, avião, lâmpadas fluorescentes…Durante os testes, aviões caem, mas isso não quer dizer que o produto final não seja seguro. Para isso que existe o protocolo”.

No Brasil, qualquer instituição ou empresa que quiser realizar pesquisa envolvendo modificação de genes precisa ser cadastrada na CTNBio, ligada ao Ministério da Ciência e Tecnologia.

O órgão também avalia os pedidos de liberação para comercialização de organismos geneticamente modificados no país. De 1998 – quando foi concedida a autorização para plantio da soja Roundup Ready da Monsanto, tolerante a herbicida – até hoje, foram liberadas 5 variantes de soja transgênica, 18 de milho, 12 de algodão e uma de feijão.

Por: Thomas Pappon
Fonte: BBC

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