Vale tem pior desempenho trimestral de sua história

A Vale encerrou o ultimo trimestre de 2012 com um prejuízo de US$ 2,6 bilhões após todas as baixas contábeis que somaram US$ 5,6 bilhões, superando as expectativas do mercado. O resultado trimestral negativo foi o maior da história da companhia, segundo a consultoria Economática. No ano, a mineradora fechou suas contas com um lucro líquido de US$ 5,5 bilhões, o menor dos últimos nove anos. Murilo Ferreira, presidente executivo da Vale, que participou da entrevista coletiva telefônica dada à imprensa após a divulgação do balanço, não descartou a possibilidade de novos ajustes de preços de ativos em 2013, caso sejam necessários.

Apesar dos números fracos, a Vale foi, entre suas concorrentes no mercado global de mineração, a companhia que apresentou até agora o melhor desempenho no ano. A Anglo American fechou 2012 com uma perda de US$ 1,49 bilhões, a Rio Tinto também acabou o ano no vermelho com prejuízo de US$ 2,2 bilhões e a líder mundial da mineração, BHP Billiton, registrou lucro no semestre fiscal encerrado em dezembro de US$ 4,2 bilhões. Todas as companhias tiveram “impairment”, sendo o maior o da Rio Tinto, de US$ 14 bilhões.

A Vale fez ajustes contábeis de US$ 2,8 bilhões em Onça Puma; de US$ 1 bilhão em projetos de carvão da Austrália; de US$ 94 milhões no projeto de níquel de Vermelho; de US$ 51 milhões nos ativos de óleo e gás; de US$ 975 milhões nas ações da Norsk Hydro; de US$ 583 milhões nos ativos da CSA (siderúrgica da ThyssenKrupp, na qual tem participação de 27%) e de US$ 83 milhoes na Vale Soluções de Energia.

O preço médio de venda do minério de ferro no quarto trimestre do ano passado foi de US$ 93,66, alta de 11,9% em comparação ao preço médio realizado no terceiro trimestre de 2012, quando foi de US$ 83,69. A informação consta da demonstrações contábeis da Vale.

A Vale investiu US$ 5,476 bilhões, excluindo aquisições, no quatro trimestre de 2012. Do investimento total, US$ 3,386 bilhões foram destinados à execução de projetos, US$ 1,614 bilhão para a manutenção das operações existentes e US$ 477 milhões para pesquisa e desenvolvimento (P&D). “Os investimentos caíram 18,1% em relação ao quarto trimestre, de forma consistente em cada um dos itens”, disse a empresa em seu balanço financeiro.

Em 2012, os investimentos e P&D – excluindo aquisições – totalizaram US$ 17,729 bilhões, em linha com o montante investido em 2011. Do total de desembolsos no ano de 2012, US$ 11,580 bilhões foram alocados para o desenvolvimento de projetos, US$ 4,616 bilhões para a sustentação das operações existentes e US$ 1,533 bilhão para P&D.

Em entrevista após a divulgação dos números, Ferreira afirmou que, devido à extensa pauta da reunião do conselho de administração da companhia ontem, a decisão sobre a continuação do projeto de potássio de Rio Colorado, em Mendoza, na Argentina, foi transferida para a próxima reunião dos conselheiros, em 11 de março.

Ferreira também informou que a mineradora deverá fazer “em algumas semanas” a seleção final das empresas que vão fazer parte, como sócias, da companhia de logística Valor de Logística Integrada (VLI), atualmente subsidiária integral da mineradora.

O diretor executivo de logística e infraestrutura, Humberto Freitas, confirmou que houve uma perda de volume transportado de 250 mil toneladas de carvão este mês por conta das chuvas em Moçambique, que levaram a mineradora a decretar força maior nos contratos de fornecimento de carvão.

Por: Vera Saavedra Durão e Rafael Rosa
Fonte: Valor Econômico

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