Ainda o escalpelamento

Neste mês em que se comemora o Dia Internacional da Mulher, proponho debater, para mobilizar com o objetivo de erradicar, um tipo de violência pontual contra as mulheres. Pontual e pouco conhecida no país e mesmo na Amazônia, onde ocorrem os acidentes ribeirinhos com escalpelamento de mulheres e meninas. Desde 2011, o Amapá não apresenta nenhum caso. Mas, no Pará, ocorreram 12 registros em 2012; Oito, em 2011.

Na região Norte vivem mais de 16 milhões de pessoas e há aproximadamente um milhão de embarcações, incluindo os pequenos barcos dos ribeirinhos. Muitas dessas embarcações não são registradas e grande parte não usa motor naval. A construção artesanal e a adaptação de um motor estacionário improvisado para o uso na navegação deixam o volante e o eixo de propulsão da hélice muito expostos.

É tradição que as mulheres e meninas usem cabelos longos. Por costume, cabe a elas retirarem a água que habitualmente entra no casco e se aloja no fundo do barco, durante a navegação. É perigoso agachar-se dentro do barco para apanhar um objeto. Essa ação corriqueira, somada ao eixo adaptado e descoberto, cria condições para que elas se exponham ao perigo e acabem vitimadas.

A elevada rotação do volante e do eixo, o que provoca tração na hélice do barco, cria um pequeno campo magnético que atrai os cabelos, enroscando-os e arrancando-os brutalmente, junto com o couro cabeludo, até a pele da face, da nuca e as orelhas, deixando as vítimas mutiladas para sempre. Quando enrosca na roupa, pode mutilar, inclusive, os homens. Por causa do trauma, as mulheres chegam a deixar o convívio social e familiar. Algumas, mesmo crianças, são abandonadas pela família e amigos; jovens e adultas, pelos companheiros e maridos.

Em 2009, consegui aprovar a Lei 11/970, que obriga o uso de cobertura no volante e no eixo das embarcações que usam motores adaptados. Nas campanhas de prevenção, as Capitanias dos Portos, junto com os Bombeiros Militares e a Associação das Mulheres Vítimas de Escalpelamento da Amazônia fornecem e instalam gratuitamente essa proteção, mas as condições dos ribeirinhos são tão penosas. Mesmo sabendo que não vão gastar nada, temem expor as embarcações à Marinha e perder o meio de transporte e de sustento.

Desde fevereiro de 2012, o governo do Amapá financia mutirões de cirurgias plásticas realizadas em convênio com a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e com a Defensoria Pública da União. Realizou, no primeiro ano, 64 cirurgias reparadoras. Conseguimos mobilizar 40 médicos em três rodadas. Para que não abandonem o tratamento, as mulheres recebem alojamento, acompanhamento psicológico e auxílio financeiro mensal de meio salário. Depois das cirurgias, com a autoestima elevada, elas voltam a exercer atividades que consideramos corriqueiras — como passear na rua, namorar, estudar e trabalhar. Mas é preciso acabar com esses acidentes que vitimam, principalmente, mulheres. Estamos no século 21. Não podemos tolerar uma situação de violência e preconceito tão absurda como essa.

É urgente implantar uma linha de crédito acessível aos estaleiros da Amazônia, a fim de permitir a substituição e modernização das embarcações. Outra medida é incentivar a carpintaria naval, importante gerador de emprego e de renda nas comunidades ribeirinhas. Recursos do Fundo da Marinha Mercante, com subsídio do Tesouro, podem servir para esse objetivo, conforme proposta já apresentada e sob análise do Ministério dos Transportes.

Os prefeitos da região Norte precisam incluir essa pauta no trabalho das suas administrações. Devem também alcançar os ribeirinhos mais distantes e criar programas que orientem a população daquelas localidades a manter as embarcações em condições adequadas, para evitar o escalpelamento. Ações preventivas e reparadoras, por meio das pastas da educação e da saúde, são prioridade.

Por isso faço alguns apelos: vamos nos mobilizar para as campanhas de prevenção, como a cobertura dos volantes e dos eixos, e cobrar o registro das embarcações e o treinamento dos pilotos e carpinteiros navais. Importante, também, é cobramos recursos do governo federal para modernizar a esquadra ribeirinha e incentivar os estaleiros locais, além de garantir o atendimento às mulheres vitimadas e adotar ações de reparação, como faz hoje o governo do Amapá.

Conscientes dos outros desafios que temos para superar e de outros tipos de violência contra a mulher, vamos lutar juntos para eliminar de vez essa tragédia. Um país que é a sexta economia mundial não pode conviver com condições perigosas e degradantes no transporte fluvial.

Janete Capiberibe é Deputada federal (PSB-AP)
Fonte: Correio Braziliense 

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11 comentários em “Ainda o escalpelamento

  • 26 de agosto de 2014 em 19:54
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    Gostaria de doar meus cabelos, poderia mandar o endereço que devo enviar. E como deve ser mandados, se mecha, ou trança. Grata.

  • 6 de março de 2014 em 21:44
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    por favor minha irmã de 14 anos tinha o cabelo pela cintura e cortou, a mesma pretende doar para vitimas do escalpelamento, mais não encontro nenhum endereço p o envio dos mesmo.acho q tem de 20 a 25 centímetros aguardando p ser enviado.

  • 20 de janeiro de 2014 em 12:52
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    Quero o endereço para enviar uma doação do cabelo.
    Grata

  • 4 de novembro de 2013 em 15:12
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    olá estou com meus cabelos para enviar as essas moças. por favor entrem em contato comigo por estes telefones 69-93697151 ou 69-32264949 ou me enviem um endereço ou numero de contato.

  • 3 de novembro de 2013 em 18:11
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    Quero saber como faço pra doar cabelo para a associacao das mulheres? Entre em contato comigo se possivel 9691330608 ou
    9681442411

  • 11 de setembro de 2013 em 22:16
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    Ola, gostaria de saber como faço para fazer a doação de cabelos. Aguardo a resposta e obrigada!

  • 4 de julho de 2013 em 14:18
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    Como faz para fazer uma doação de cabelo?

  • 15 de abril de 2013 em 15:53
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    Impressiona o fato de coisa tão simples de prevenir – cobrir o eixo do motor e evitar o contato do passageiro – ao mesmo tempo que existe irresponsabilidade dos pais e dos donos dos barcos. Por isso que coisas simples continuam a nos dar prejuízo, como se fossem monstros.

  • 22 de março de 2013 em 3:35
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    Bom dia !!! já faz um tempão que queria comunicar com vocês más não estava conseguindo ,quero fazer doação de meus cabelos para esta pessoas quero saber como faço pois acredito que vocês são pessoas sérias gostaria que vcs entracem em contato comigo desde já fico muito grata!! abraços… meu fone 019 81918389

  • 22 de março de 2013 em 3:31
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    Bom dia!! por favor quero saber como se doa cabelos para estas moças quero fazer esta doação mais quero resposta pois fiquei chocada com a reportagen e quero cortar meus cabelos para esta doaçõa como eu faço desde já muito obrigada abraços fiquem com DEUS PAI…entre em contato comigo por favor fone 019 34537295 ou 19)81918389

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