Produtores de Sorriso pedem pedágios

A ideia de passar a pagar pedágio para trafegar em rodovias federais não costuma gozar de grande popularidade, mas em Sorriso, a maior parte dos produtores de grãos não vê a hora de começar a pagar tarifa para usar a BR-163. “Pelo menos assim passaremos a ter realmente uma rodovia. Não é o que temos hoje”, diz Laércio Pedro Lenz, presidente do Sindicato Rural de Sorriso.

Um trecho de 821 km da BR-163 no Mato Grosso entrou no pacote de concessões anunciado pelo governo no ano passado. A previsão é de que a iniciativa privada assuma o comando da estrada entre os municípios de Sinop e Sonora, na divisa do Estado com Mato Grosso do Sul. O eixo Norte da estrada continuará sob a responsabilidade do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), autarquia do Ministério dos Transportes.

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Estão previstas nove praças de pedágio no percurso. Empresas de transporte da região já chegaram a dizer que a privatização poderá encarecer ainda mais o frete, mas não é assim que pensam os produtores. “Estamos chegando à conclusão de que realmente o melhor é conceder. Afinal, hoje nós já estamos pagando esse pedágio, só que esse custo sai via frete, sem termos uma rodovia que preste”, diz o produtor de grãos, Elso Vicente Pozzobon. “Não vejo outra maneira disso melhorar. O governo não consegue nos acompanhar há muito tempo. Ele oferece a mesma infraestrutura de 30 anos atrás ao produtor hoje.”

O volume de acidentes ocorridos na rodovia corrobora com a indignação dos produtores. Os estudos divulgados pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) relacionados ao trecho que será concedido apontam que, no ano passado, foram registrados 628 acidentes ao longo dos 821 km analisados. Dessas ocorrências, 213 resultaram em pessoas com ferimentos. Outros 337 acidentes fizeram vítimas fatais, ou seja, quase uma morte por dia.

A concessão planejada pelo governo permitirá a exploração da rodovia por 25 anos. Além da duplicação da malha, a empresa assume a responsabilidade pela recuperação, conservação, operação e melhorias que permitam ampliar a capacidade da estrada. A tarifa-teto do pedágio que será cobrada no trecho foi definida em R$ 3,17, dependendo da praça de pedágio, mas o governo acredita em queda de preço.

Fonte: Valor Econômico

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