Índios desocupam o canteiro de obras da UHE de Belo Monte e permanecem em Altamira

Mais de 100 índios Munduruku e de outras etnias do Médio Xingu estão alojados em uma igreja de Altamira desde a noite de ontem (9/5). E ali pretendem ficar até decidir sobre a proposta do ministro da Secretaria Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, enviada por carta ao canteiro de obras

"Nós ficamos esperando o governo pra conversar e ele não veio, só mandou encarregado que não decide nada, só mandou polícia|Leticia Leite-ISA

A carta que chegou aos índios na terça-feira (7/5) propõe um cronograma reuniões em Brasília (DF) e Jacareacanga (PA). (Assista ao vídeo com o diálogo entre Nilton Tubino, da Secretaria Geral da Presidência e Valdenir Munduruku depois da entrega da carta no canteiro de obras).


Depois de sete dias, os índios deixaram o canteiro de obras nesta quinta-feira (9/5), por volta das 20h. Caminhando e entoando cânticos Munduruku, eles cruzaram a cancela do canteiro por, sem nenhum acordo sobre a consulta indígena às comunidades afetadas pela usina de Belo Monte e por outras hidrelétricas que o governo federal pretende construir na Bacia do Rio Tapajós – pauta que motivou a ocupação. “Nós saímos daqui sem acordo nenhum. Nossas reivindicação não foram atendidas ainda, o governo não deu nenhuma resposta concreta pra gente … estamos saindo daqui porque há uma decisão judicial”, disse Valdenir Mundurku, depois de deixar o canteiro. (assista ao vídeo com a entrevista completa de Valdenir Munduruku).

O Ministério Publico Federal (MPF) acompanhou o cumprimento do mandado de reintegração de posse, expedido na noite de quarta-feira (8/5) pelo TRF1. A procuradora Thais Santi havia solicitado a suspensão da ação, mas teve seu pedido negado no início da noite de ontem. Ao final da desocupação ela disse que o relatório feito pela Polícia Federal no domingo (5/5) e que embasou a decisão de reintegração de posse não seria fidedigno com a situação atual (assista a entrevista concedida pela procuradora ao final da desocupação).


Em nota, o MPF/PA mostrou sua preocupação com a condução da operação de reintegração de posse: “ (…) já que a chefe da PF em Altamira, responsável pelo relatório feito à Justiça, é casada com o advogado da Norte Energia S.A Felipe Callegaro Pereira Fortes, autor do pedido de reintegração de posse. No agravo feito ao TRF1, o advogado chega a citar o relatório da PF, assinado pela sua esposa”.

Depois de deixar o canteiro de obrfas, indígenas estão em umam igreja de Altamira|Leticia Leite-ISA

Fonte: Instituto Socioambiental (ISA)

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