AC: desembargadora comunica STF sobre ameaça de morte por combater corrupção

A desembargadora Denise Castelo Bonfim, do Tribunal de Justiça do Acre, enviou ao ministro Joaquim Barbosa, presidente do Supremo Tribunal Federal, comunicado sobre os últimos acontecimentos que geraram as possíveis ameaças de morte contra ela, além de cópia da representação feita pela Polícia Federal e da decisão proferida durante a Operação G-7. O comunicado tamém foi ao presidente do Tribunal de Justiça do Acre, desembargador Roberto Barros, e ao Conselho Nacional de Justiça.

A desembargadora relata que na tarde de segunda-feira (27), através da juíza da Vara de Execuções Penais, Luana Campos, tomou conhecimento de que há um “possível planejamento”, por parte dos integrantes da Operação G-7, no sentido de que estariam se articulando para atentar contra a vida dela.

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A desembargadora foi quem autorizou a Polícia Federal a realizar prisões preventivas, busca e apreensão e de condução coercitiva, bloqueio de bens e compartilhamento de provas durante a Operação G-7, que já prendeu 15 empreiteiros e secretários do governo do Acre envolvidos com o grupo de sete empresas de construção civil que atuava de modo articulado para fraudar licitações de obras públicas no Acre.

A Polícia Federal já indiciou 22 pessoas por formação de cartel, falsidade ideológica, corrupção ativa e passiva, formação de quadrilha, fraude à licitação e desvio de verbas públicas. Segundio a PF, eles fraudavam licitações e contratos no governo do Acre. Entre os indiciados, dois secretários de Estado, além de Tiago Viana Neves Paiva, sobrinho do governador Tião Viana (PT), o único que foi solto por ordem do Superior Tribunal de Justiça.

De acordo com Denise Bonfim, a situação foi confidenciada à juíza Luana Campos por um detento que também se encontra Unidade Prisional URS-02/RB e URF-03/RB, mais conhecida como Papudinha.

– E, considerando ainda, que esta é a segunda informação nesse sentido, posto que há aproximadamente 15 (quinze) dias, esta Desembargadora também recebeu uma ligação sem sinal de identificação dizendo os seguintes imperativos: “Cuidado! Tenha cuidado com a sua vida!”, restando, assim, esclarecer que em razão da reiteração das informações e ainda, achando por cautela ser comunciado aos setores públicos necessários, comunico a Vossa Excelência para conhecimento e providências – relata a desembargadora, assinalando que teve a iniciativa, como precaução, de manter e assegurar sua segurança pessoal.

O delegado Maurício Moscardi, Chefe da Delegacia Regional de Combate ao Crime Organizado da Polícia Federal no Acre, às 16h30 desta terça-feira, entregou à desembargadora Denise Castelo Bonfim o inquérito da Operação G-17. Os agentes da PF tiveram que usar dois carrinhos para transportar pelos corredores do Tribunal de Justiça os 7 volumes e 10 apensos, que totalizam mais de 4 mil páginas.

Reação do governo e do PT

O governador Tião Viana e os senadores Anibal Diniz e Jorge Viana, ambos do PT, têm criticado duramente a atuação da Polícia Federal e da Justiça. No sábado (25), durante plenária do partido em desagravo ao governador, Diniz atacou a Polícia Federal, o Ministério Público e a Justiça por causa das investigações da Operação G-7.

– Um ano e seis meses de gravação, de procura com lupa, como cães farejadores tentando encontrar alguma marca de corrupção neste governo (…) A Polícia Federal, o Ministério Público e o Tribunal de Justiça estão a serviço de uma oposição que quer, a todo custo, tomar o poder a custa de mentiras.

Ainda no sábado, o senador Jorge Viana (PT-AC), vice-presidente do Senado, reagiu durante manifestação do partido de apoio ao governador Tião Viana.

– Vocês sabem quem é um dos chefes da perícia da Polícia Federal do Acre? É parente do Flaviano Melo. É uma pessoa parente do Flaviano Melo, que já ocupou uma série de cargos. E se essa pessoa estiver fazendo uma ação dirigida? Eu só quero que investigue.

O senador se referiu ao engenheiro Roberto Feres, perito da Polícia Federal, que não é parente do ex-governador e atual deputado Flaviano Melo (PMDB-AC).

Feres na verdade é casado com Nazle Maria Fecury de Melo Feres, que é prima de Flaviano Melo e do ex-governador Binho Marques (PT). Nazle Feres trabalha há muitos anos no gabinete do secretário de Fazenda, Mâncio Cordeiro.

O secretário de Fazenda é casado com Waldirene Cordeiro. Durante muitos anos ela chefiou a promotoria de Defesa do Patrimônio do Mistério Público do Acre. A mulher do secretário deixou a promotoria em novembro do ano passado porque foi escolhida para o cargo de desembargadora do Tribunal de Justiça pelo governador Tião Viana.

Mais: o senador Jorge Viana e o governador Tião Viana são primos de um agente que trabalha na Superintendência da Polícia Federal no Acre. O nome do agente é Bruno Falcão Macedo Junior. Além dele, existe o agente Francisco Sales Pessanha Junior, casado com uma prima do senador e do governador. A esposa de Peçanha é filha de Ciro Falcão Macedo, tio dos dois políticos.

A PF disse que em situações assim segue procedimentos éticos. Tanto o agente primo dos irmãos Viana como o perito casado com a prima dos dois ex-governadores não participaram da Operação G-7.

Aliás, 150 agentes de diferentes partes do país foram convocados para participarem da Operação G-7, deflagrada publicamente naquela histórica sexta-feira, no dia10 de maio. Todos vieram para o Acre cientes de que participariam de uma operação, mas nenhum sabia qual era o foco.

Cada grupo de agentes só recebeu o script do que deveria fazer meia hora antes, quando saíram para cumprir mandados de prisões preventivas e de busca e apreensão, por ordem da desembargadora Denise Castelo Bonfim.

Por: Altino Machado
Fonte: Terra Magazine/ Blog da Amazônia 

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Um comentário em “AC: desembargadora comunica STF sobre ameaça de morte por combater corrupção

  • 30 de maio de 2013 em 10:42
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    A PF precisa investigar o desvio e roubo do dinheiro público e punir exemplarmente os envolvidos quer seja senador, deputado, prefeito, vereador, governador, secretários e demais pessoas privados. A PF deve urgentemente proteger a desenbargadora, pois temos mais uma morte anunciada.

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