Presidente da Funai segue no cargo

Em meio à tensão instalada entre o Palácio do Planalto e a Fundação Nacional do índio (Funai) por conta dos problemas detectados na demarcação de terras indígenas, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, veio a público ontem para arrefecer os boatos em torno de uma possível mudança na cúpula do órgão. Carvalho negou que o governo tenha a intenção de afastar a presidente da Funai, Marta Maria de Azevedo.

“Nós vamos trabalhar, a presidente da Funai está muito empenhada com isso. Não é verdade que a Marta vai ser demitida, não procede, nós seguiremos trabalhando. O ministro (da Justiça) José Eduardo Cardozo está tomando medidas para ajudar nessa questão”, afirmou Carvalho. A presidente da Funai está na berlinda desde a semana passada, quando Dilma foi vaiada em Campo Grande por produtores rurais que protestavam contra os critérios da Funai para delimitar áreas destinadas a reservas indígenas. Na terça-feira, o Planalto fez a primeira intervenção no órgão, ao paralisar o processo de demarcação de terras no Paraná. O movimento agradou a ala ruralista do Congresso.

Entretanto, Carvalho acenou na direção dos índios ao expòr o posicionamento contrário do governo em relação à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 215, que transfere do Executivo para o Legislativo a responsabilidade sobre a demarcação de terras indígenas. “Há outras formas de se ampliar esse diálogo”, disse o ministro. Em 16 de abril, centenas de índios invadiram o plenário da Câmara em protesto contra a tramitação da PEC. “Não entendemos ser necessário que se tire do Executivo e leve ao Congresso a legitimidade e o poder de tomar essas decisões”, afirmou Carvalho.

Enquanto agia para acalmar os ânimos no embate em torno das terras indígenas, o ministro foi alvo de um “tuitaço”, ontem, cobrando que Carvalho vá ao canteiro de obras da Usina Hidrelétrica Belo Monte para negociar com os índios que ocupam o espaço há seis dias. Em nota divulgada na segunda-feira, a Secretaria-Geral criticou as lideranças indígenas do movimento, acusando-as de envolvimento com o garimpo ilegal de ouro na região do Rio Tapajós.

Fonte: Correio Brasiliense

 

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