Biojoias do AM ganham feira de moda na Alemanha

As peças foram criadas pelo designer amazonense Nelson Torres, 57, que nasceu e viveu a infância às margens do rio Negro, na Zona Sul de Manaus.  Como seus avôs trabalhavam nos chamados “regatões” – barcos que eram usados para comercializar produtos pelos interiores da Amazônia

Coleções possuem elementos indígenas, matéria-prima regional, metais e pedrarias (Divulgação)

Três novas coleções de acessórios criadas no Amazonas ganham o mercado de São Paulo e serão apresentadas na Feira de Moda Orgânica da Alemanha, no começo de 2014. As coleções de biojoias intituladas Rio Negro, Vitória-Régia e Tucumã reúnem elementos indígenas e caboclos, matéria-prima regional da floresta amazônica, gemas e metais preciosos.

As peças foram criadas pelo designer amazonense Nelson Torres, 57, que nasceu e viveu a infância às margens do rio Negro, na Zona Sul de Manaus. Como seus avôs trabalhavam nos chamados “regatões” – barcos que eram usados para comercializar produtos pelos interiores da Amazônia –, na sua adolescência, ele teve contato direto com comunidades e aldeias indígenas, onde ganhou amizades e inspiração que lhe rendem frutos até hoje. O trato comercial e convivência com a natureza influenciaram diretamente na sua atual atividade: a criação e venda de pulseiras, colares, brincos e outros acessórios cheios de estilo.

Há oito anos, Torres deixou de lado a movelaria e passou a trabalhar com a sutileza de joias exclusivas que unem ourivesaria e artesanato. As últimas coleções criadas por ele, Rio Negro, Vitória Régia e Tucumã, ganham admiradores pelo Brasil e serão apresentadas em uma feira internacional de moda na Alemanha.

“Das 250 peças da coleção Tucumã, 230 foram vendidas entre 26 e 30 de junho deste ano durante uma Feira Internacional realizada no Parque Ibirapuera, em São Paulo. Fomos a convite da Suframa e lá pudemos constatar como as biojoias se diferenciam. As pessoas ficaram encantadas com os colares, brincos e pulseiras que levamos”, revelou.

As criações de Nelson Torres são comercializadas em lojas de Minas Gerais e São Paulo, onde recentemente ele e um sócio montaram uma loja.

“Tenho um ateliê em Manaus, mas há um mês, fizemos uma sociedade, eu e o engenheiro florestal Alexandre Spadoni e acabei me mudando para Campos do Jordão. Aqui há muita procura por nosso trabalho. Existem bons joalheiros em São Paulo, mas nossa linguagem se diferencia. Eles, quando compram a peça, querem saber a história, o motivo dos traços indígenas e das sementes. Temos aqui uma valorização maior que na própria Amazônia”, disse.

Parceria

A parceria que uniu Alexandre e Nelson e levou o amazonense a São Paulo começou após o público de outra cidade conhecer e passar a adquirir as biojoias feitas em Manaus.

“Eu e minha esposa Simone Palamarczuk conhecemos o Nelson durante uma viagem a Manaus, em 2009, a convite de Augusto Mathias, da Prefeitura de Toronto, Canadá. Este foi o início de um relacionamento comercial e de amizade que resultou na abertura, em 2011, de uma loja especializada em biojoias e cosméticos da Amazônia, em Poços de Caldas, Minas Gerais. Posteriormente, em meados de 2013, constituímos uma nova empresa especializada na fabricação de biojoias”, detalha Alexandre Spadoni.

A demanda da loja em Poços de Caldas cresceu, a loja ganhou uma nova direção, que continua a revender as biojoias criadas pelo designer amazonense. Há um mês, Nelson e Alexandre montaram uma sociedade e abriram um novo ateliê em Campos do Jordão, São Paulo, para onde se mudaram.

“Temos a ideia de criar franquias. Estamos caminhando. Já houve essa procura” comenta Torres, que acrescenta: “queremos ver a nossa criação circulando. A proposta não é supervalorizar o preço, por isso há peças a partir de R$ 20. Queremos vender no atacado e varejo, queremos preços acessíveis para qualquer pessoa poder ter um pedaço da Amazônia”.

Próximas coleções

A próxima coleção ainda está sendo desenhada, mas promete novidades que devem agradar os fashionistas de vários locais. “Por estar aqui no sudeste vamos unir a Amazônia e a Mata Atlântica nas próximas coleções”, projeta Torres.

Coleções

Coleção Rio Negro

Conta com 200 peças, entre elas colares da etnia Apurinã. A cor principal da linha é o negro. Os materiais usados são: ouro, prata, jarina (marfim vegetal da Amazônia) e marchetaria com madeiras nobres (extraídas de áreas de manejo florestal).

Coleção já começou a circular nas lojas de Campos do Jordão e Jardins, em São Paulo. “Ao ver as peças é como se você olhasse o próprio rio, o reflexo da lua e sol (a prata e o ouro) sobre as águas do rio Negro”, comenta Torres. Preço de R$ 20 a R$ 3.500

Coleção Vitória-Régia

De acordo com o criador das peças, remete a cultura indígena e cabocla, que conheceu bem durante o período em que viveu no Amazonas. “A minha visão é trazer o contexto cultural dos contos, a presença da mulher, da flor, da feminilidade. Cada colar tem a vitória-régia (planta aquática típica da Amazônia), mas cada peça remete a leveza, a delicadeza da cunha”, disse Torres.

Os materiais usados foram: madeiras, tururi, ouriço da castanha, fibra de tucum, algumas sementes e colares autênticos dos índios Apurinã, Saterê-maué, Ticunas, Tucanos, Wamiri-atroari e outras etnias de São Gabriel da Cachoeira, no Amazonas. Preço de R$ 20 a R$ 3.500.

Coleção Tucumã

Exalta a cultura indígena da Amazônia com o desenho de grafismos originais, inspirados nas etnias do alto-rio Negro, rio Tapajós e nas peças da cerâmica Marajoara. As 250 peças foram confeccionadas com tucumã, gemas (pedras preciosas e semi-preciosas) e prata.

Restam apenas 20 peças com o criador. Assim como as outras coleções, conta com uma linha completa de acessórios para homens e mulheres. Preço de R$ 20 a R$ 3.500.

Serviço

O que é: Biojoias da Amazônia
Fones: (12) 9740-9853
E-mail: arecaceae.biojoias@gmail.com

Fonte: A Crítica

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Um comentário em “Biojoias do AM ganham feira de moda na Alemanha

  • 16 de maio de 2017 em 23:14
    Permalink

    Boa noite, qual o contato do designer Nelson Torres ou onde é o ateliê dele?

    Obrigada

    Resposta

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