PA: Congelamento da tarifa não satisfaz movimentos

Um dos principais itens na pauta de reivindicação das manifestações que tomaram as ruas do país, o preço da tarifa de ônibus foi pauta de reunião, ontem, no Palácio Antônio Lemos.

Reunidos com o prefeito Zenaldo Coutinho, membros de entidades como Defensoria Pública, Procuradoria Geral de Justiça do Ministério Público do Estado (MPE), Tribunal de Contas dos Municípios (TCM), Autarquia de Mobilidade Urbana (Amub), Prefeitura de Ananindeua e representantes do Sindicato das Empresas de Transporte de Belém (Setrans-Bel) definiram que o valor atual da tarifa permanecerá R$ 2,20, pelo menos até o final deste ano.

O diretor da Amub, Gilberto Barbosa, apresentou um ranking que aponta a tarifa de Belém entre as menores das capitais brasileiras, atrás de São Luis, Teresina, Macapá e Brasília, considerando apenas a área do Plano Piloto.

Everson Costa, analista-técnico do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese) e titular no Conselho Municipal de Transportes, sugeriu que a planilha tarifária de Belém, responsável por direcionar o preço final das passagens, seja revista.

Segundo Everson, a planilha está defasada, pois possui mais de 20 anos. A revisão, além da proposta de se criar um Conselho Metropolitano de Transportes para integrar Belém às cidades vizinhas, são pautas agendadas para serem avaliadas no próximo dia 24, quando as instituições se reúnem novamente para apresentar propostas para a planilha.

O prefeito de Belém ressaltou a importância e a obrigação do poder público de melhorar o sistema por um preço justo, mas sem abrir mão de custos que, segundo o prefeito, são necessários para manter o sistema. Sobre a possibilidade de instalação do Passe Livre para estudantes, o prefeito afirmou que é uma proposta que precisa ser mais amadurecida. “Essa conta tem que ser paga com recurso que iria para outro lugar”, observou.

REPERCUSSÃO

Para a funcionária pública Cláudia Rodrigues, 45 anos, o preço atual da tarifa de ônibus não condiz com a qualidade do sistema público de transporte. “Se nós tivéssemos um transporte de qualidade, pagaríamos com gosto. Agora, a gente vê ônibus sucateados, frota insuficiente pra atender todo mundo, atrasos constantes… Não acho que o preço seja justo, não”, opina a usuária.

Movimentos querem a redução no preço para R$ 2

A notícia do congelamento da tarifa em R$ 2,20 não agradou aos movimentos sociais que vêm reivindicando a redução para R$ 2. O prefeito de Belém, Zenaldo Coutinho foi duramente criticado nas redes sociais e a ordem é organizar uma nova onda de protestos.

“O que queremos é a redução para R$ 2 e o congelamento por dois anos. Independente do que a prefeitura decidir, vamos continuar a luta”, disse Nice Gonçalves do Movimento Belém Livre.

Os manifestantes querem explicações sobre a redução de impostos federais para o transporte urbano e as razões dessa redução não ter provocado resultados em Belém e Ananindeua. Nas próximas duas semanas, o Movimento Belém Livre fará panfletagens e algumas manifestações, mas a pressão deve ser maior na volta às aulas , no mês que vem.

“Havia um compromisso do município com os movimentos sociais de manter a passagem em R$ 2. Independente de quem seja o gestor, isso deve ser cumprido. Não vamos parar”, disse Nice.

No próximo sábado, integrantes do Belém Livre que estão acampados na praça da Leitura em São Brás prometem fazer uma manifestação que deve sair da Praça a partir das 8h. O trajeto não foi informado. No próximo dia 26, haverá uma reunião para tratar do preço da passagem e também são esperadas manifestações do grupo nessa data.

Fonte: Diário do Pará

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