Diretor de hospital elogia médicos estrangeiros e reclama de falta de especialistas

O município de Rio Preto da Eva fica a 80 quilômetros de Manaus (AM). A estrada é cheia de curvas e em diversos trechos é totalmente ladeada pela mata verde e densa, mas apresenta boas condições de tráfego, com asfalto conservado. Em situações normais, a viagem pode ser agradável e não tão demorada. Mas quando chega a hora de se ter um bebê, o trecho parece interminável e cada curva tortura quem nada pode fazer para amenizar a ansiedade e até a dor de um trabalho de parto iniciado.

A cada mês, dezenas de mulheres moradoras do município vivem histórias parecidas, segundo o diretor-geral do Hospital Thomé de Medeiros Raposo, Ricardo Honorato, porque faltam médicos especialistas. A unidade de saúde, única desse porte no município, com cerca de 28 mil habitantes, conta com apenas um clínico geral por plantão de 24 horas. Na avaliação do diretor, que tem formação em administração hospitalar, para dar conta da demanda estimada em 100 atendimentos diários seria necessário que a equipe médica também incluísse ao menos cinco especialistas – cirurgião-geral, ortopedista, anestesista, obstetra e pediatra.

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“Não temos obstetra aqui, mas se tivéssemos, pelo menos, um cirurgião-geral evitaríamos encaminhar as grávidas com algum risco no parto. Não podemos assumir uma situação que não sabemos se vai ter complicação e comprometer a vida da mãe e do bebê por falta de profissional”, disse Honorato à Agência Brasil.

Com isso, destacou, muitas crianças que moram na cidade, acabam sendo registradas em Manaus, porque “foram lá só para nascer”. É o caso dos três filhos da conselheira tutelar Rosinei Torres de Souza, 33 anos, que se programou com antecedência para fazer o parto dos meninos na capital.

“Aqui não tem médico e eu também não confio muito na estrutura então, para evitar problemas, me proteger e proteger meus filhos, preferi nas três gestações ir para Manaus uns dez dias antes da previsão da chegada deles e esperá-los nascer na capital”, disse Rosinei. “Muita gente aqui faz isso. Foi assim com as minhas cunhadas, minhas amigas. Só nasce aqui se for de emergência ou se a pessoa não tiver condições de ir para Manaus”, acrescentou.

Ricardo Honorato acredita que a dificuldade de atrair médicos para os municípios do interior do Amazonas pode ser explicada pelo mercado aquecido nas capitais, onde eles encontram “bons salários, mais opções de lazer e oportunidades de reciclagem”. Ele defende a contratação de médicos estrangeiros para ocupar vagas ociosas, principalmente no interior do país.

“Já trabalhei com muitos médicos estrangeiros que prestavam excelentes serviços à população da Amazônia. Se eles vierem dispostos realmente a trabalhar e a servir acho que podem ajudar a resolver muitos problemas por aqui”, disse o diretor-geral do hospital.

Por: Thais Leitão Enviada
Fonte: gência Brasil – EBC
Edição: Marcos Chagas

 

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Um comentário em “Diretor de hospital elogia médicos estrangeiros e reclama de falta de especialistas

  • 29 de agosto de 2013 em 11:34
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    É impressionante como somos mal tratados nos hospitais públicos por médicos é outros profissionais da saudê que se acham donos do hospital e acham que estão fazendo favor em atender a gente, julgam as pessoas pela aparência, são pessoas pequenas, que tentam nos inibir quando não nos comportamos de forma pacata dentro da repartição publica.
    São pessoas metidas, já vi rirem da nossa cara.
    O medico grita com você, e se você falar mais alto é advertido que pode ser preso, fora o medo de sacanearem com o paciente.
    Não sei se a povo é mais hostilizado por policiais ou por médicos.
    Nada justifica tanta estupidez.
    Falta mais amor, os caras formam não pelo o amor a profissão ou ao ser Humano, mais pelo salario e statos que proporciona o titulo de medico.
    Sera que as faculdades não trabalham a educação para com o ser Humano.
    As pessoas simplórias não enxergam isso e na sua ignorância até elogiam tais profissionais pois não conhecem coisa melhor.
    Somos reféns desses profissionais, parece que não adianta reclamar.
    Os órgãos que deveriam dar apoio ao usuário na maioria das vezes são incompetentes e as vezes complacentes com os médicos,,
    alem de expor o reclamante e o paciente em vez de investigar mesmo se a reclamação for anonima, testar o funcionário.
    Na maioria das vezes você não tem como provar que foi mal tratado, e fica por isso mesmo.
    Estudaram com dinheiro publico e agora acham que podem tratar mal a população.

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