“Mais Médicos” trará 142 profissionais para o Amazonas

Serão 88 brasileiros e 54 cubanos que chegarão para trabalhar no Amazonas até o dia 26 de setembro. Reação local é esperada

O Amazonas receberá 142 profissionais – entre brasileiros e estrangeiros – do programa “Mais Médicos” do Governo Federal até o dia 26 de setembro. A chegada deles ocorrerá em duas etapas.

Inicialmente serão 88 brasileiros inscritos na primeira fase do programa para trabalhar no Amazonas. Destes, 64 estão com a documentação revalidada e começarão a atender a população nas unidades básicas de saúde a partir do dia 2 de setembro. Destes 64, 54 têm diploma de universidades brasileiras. Outros 10 possuem diploma estrangeiro. Os outros 24 inscritos, do total de 88, têm até o dia 2 de setembro para entregar a documentação que valida o início do trabalho.

Inicialmente 46 ficarão em Manaus e outros 42 vão para o interior. Somente na segunda etapa haverá o emprego de médicos estrangeiros. Eles atuarão apenas no interior do Estado.

Inicialmente serão beneficiados 41 municípios do Estado, sendo 12 na primeira etapa e 29 na segunda. Todos os médicos trabalharão 40 horas por semana em unidades básicas de saúde (UBSs), mas poderão fazer plantões aos finais de semana e feriados. Eles receberão R$ 10 mil de salário mensal ao longo de três anos.

Além dos médicos alocados nas UBSs, o programa Mais Médicos também enviará profissionais para cinco Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs). Do total de médicos da primeira fase, sete atuarão em comunidades indígenas. Eles receberão reforço de outros 19 profissionais do total que chegará na segunda fase. O Vale do Javari, no Oeste do Amazonas, é uma das áreas contempladas. O Estado contará com o apoio das Forças Armadas para levar os médicos paras as regiões.

Cubanos no Amazonas

Segundo o titular da Secretaria de Estado da Saúde (Susam), Wilson Alecrim, na segundo etapa chegarão ao Amazonas 54 médicos cubanos formados na própria ilha. Ele explicou que a primeira etapa privilegia médicos brasileiros, conforme prevê o edital de inscrição do programa. A segunda etapa visa o preenchimento das vagas remanescentes para o interior com estrangeiros. “As vagas que não foram escolhidas por brasileiros serão ocupadas por estrangeiros que têm toda qualidade e capacidade técnica para atender a população”, disse.

Conforme o secretário municipal de Saúde (Semsa), Evandro Melo, apesar da maior demanda ser para o interior, Manaus requisitou 47 médicos do Governo Federal. Do total disponibilizado pelo governo Federal, para Manaus, 27 médicos brasileiros da primeira fase atuarão somente em unidades básicas de saúde localizadas na área rural.

‘Reciclagem’ para trabalhar

Os médicos que atuarão no Amazonas receberão um curso sobre doenças amazônicas, semelhante ao que existe na Fundação de Medicina Tropical, para que se ambientem a realidade de saúde da região. A capacitação será feita com representantes de todas as instituições que são referência no em doenças tropicais no Amazonas.

Os estrangeiros chegam ao Brasil hoje e amanhã e também receberão aulas e avaliações sobre saúde pública brasileira, aplicada pelo Ministério da Saúde, além aulas de lingua portuguesa. A capacitação ocorrerá ao longo de três semanas (de 26 de agosto a 13 de setembro) totalizando 120 horas. Depois da aprovação, eles começam as atividades no dia 16 de setembro.

Os mais 2 mil médicos cubanos chegarão ao País, em outubro, na segunda etapa do convênio. Do total de cubanos que atuarão no País, 84% têm mais de 16 anos de experiência em medicina familiar e comunitária e atuaram.

Prontos para combater oposição ao programa

Os médicos estrangeiros começarão a chegar ao Amazonas no 14 de setembro e a Secretaria de Estado da Saúde (Susam) espera por reações contrários das entidade médicas do Estado. Conforme o secretário, Wilson Alecrim, o Estado está preparado para enfrentar manifestações de médicos que se opõem à importação de profissionais da área.

Segundo ele, além das manifestações nas portas de hospitais e possíveis ameaças de greve, a secretaria deve sofrer ações judiciais impetradas pelas entidades. Para minar os movimentos, a Advocacia-Geral da União (AGU) enviará um advogado para cuidar de questões voltadas para o programa Mais Médicos. “Faremos o acolhimento dos médicos cubanos e não importa se tiver 12 pessoas com faixas gritando contra porque isso é bom para nós. Acrescenta e mostra que estamos fazendo uma mudança para melhorar a saúde”, disse.

Os médicos cubanos chegam entre hoje a amanhã, ao Brasil e passarão por curso de acolhimento até o dia 13 de setembro, em São Paulo, Porto alegre, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília, Salvador, Recife e Fortaleza. A partir do dia 14 de setembro os cubanos serão distribuídos nos respectivos municípios. Eles devem começar a atender a população no dia 16 de setembro.

Cada município será responsável pelos custos com moradia e alimentação dos médicos ao longo dos três anos. Os prefeitos deverão arcar também com o transporte do aeroporto até o município onde o médico desenvolverá as atividades. No caso, de acesso difícil a comunidades, as prefeituras terão que oferecer o transporte da moradia dos profissionais até a unidade de saúde.

Por: Florêncio Mesquita
Fonte: A Crítica 

 

Deixe um comentário

Um comentário em ““Mais Médicos” trará 142 profissionais para o Amazonas

  • 26 de setembro de 2013 em 19:34
    Permalink

    O Governo facilitou a vinda de médicos estrangeiros para atenderem aos municípios longínquos. Os nossos médicos brasileiros, até os mais jovens não querem atender a população destes cantos esquecidos. Alegam falta de tudo… E ainda reclamam por outros médicos virem atender. Digo que Respeitamos os doutores que não querem servir aos cidadãos esquecidos, devem ter suas razões, mas que não critiquem os médicos e até muitos voluntários que lá estão indo ajudar nossos irmãos… Um próprio médico voluntário servindo nas fronteiras declarou na TV: “temos acima de tudo que olharmos com mais humanismo estas questões”. Fernando Lee / BNC TV em Tubarão, SC.

Os comentários estão desativados.