MPF/PA acompanha investigação do assassinato do líder quilombola Teodoro Lalor

Seu Lalor, como era conhecido, lutava há muitos anos pela titulação de terras quilombolas invadidas por fazendeiros no Marajó

O Ministério Público Federal no Pará (MPF/PA) está acompanhando e colaborando nas investigações sobre o assassinato de Teodoro Lalor de Lima, líder quilombola do arquipélago do Marajó que há muitos anos lutava pela titulação dos quilombos na região de Cachoeira do Arari. Lalor fez várias denúncias ao MPF nos últimos anos sobre ameaças e violência contra os quilombolas.

Teodoro Lalor foi assassinado na madrugada do dia 19 de agosto com uma facada nas costas que lhe atingiu o coração. A Polícia Civil do Pará é responsável pela investigação do crime. O MPF enviou hoje à polícia todos os documentos com relatos de ameaças, expulsões e até prisões ilegais contra os quilombolas da comunidade de Gurupá, onde vivia Lalor. O procurador da República Felício Pontes Jr esteve hoje no enterro do quilombola.

A tensão entre a comunidade quilombola e fazendeiros de Cachoeira do Arari levou o caso à Justiça Federal. O MPF pediu a retirada do fazendeiro Liberato de Castro da região, acusado de contratar pistoleiros para expulsar os moradores. A Justiça chegou a conceder uma liminar proibindo o fazendeiro de entrar nas terras quilombolas e de criar problemas para a pesca e a coleta do açaí. O processo contra Liberato tramita na 5ª Vara Federal em Belém.

Além do processo na Justiça Federal, existe também um procedimento aberto na Corregedoria de Polícia Civil do Pará apurando a participação de servidores públicos nas ameaças à comunidade. Vários quilombolas chegaram a ser intimados a comparecer à delegacia ou mesmo presos, para responder a acusações falsas do fazendeiro.

“Em sua luta pela permanência na área, Teodoro Lalor de Lima já foi preso inúmeras vezes, de forma injusta e ilegal, bem como foi obrigado a atender diversas ocorrências policiais, sob as mais variadas acusações, que vão desde a suposta prática de crime ambiental, em razão do trabalho de manejo do açaí até o suposto porte ilegal de armas, em razão da utilização de apetrechos voltados à caça para subsistência. Tudo porque resiste em entregar o lugar onde vive”, dizia o procurador Felício Pontes na ação.

Fonte: MPF – Ministério Público Federal

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