Organizações Indígenas lembram os 20 anos do Massacre de Haximu

Comunicado relembra massacre que vitimou 16 índios Yanomami do lado da Venezuela, incluindo velhos, crianças e mulheres.  Quatro garimpeiros foram condenados e o STJ definiu o massacre como genocídio

A Coordenadoria das Organizações Indígenas do Estado do Amazonas, na Venezuela, divulgou comunicado nesta quinta-feira (15/8), sobre o massacre de 16 Yanomami ocorrido em julho de 1993, em terras venezuelanas.  Eles foram assassinados por garimpeiros ilegais.  Os sobreviventes se refugiaram na comunidade Yanomami de Toototobi, no Brasil e ali permaneceram por dez anos, quando então, voltaram ao seu território de origem na Venezuela.

Sobreviventes do massacre carregam cabaças com as cinzas dos parentes assassinados!Carlos Zacquini

Esse massacre continua na lembrança de índios e não índios.  A região de fronteira entre Brasil e Venezuela, onde se situa a Terra Indígena Yanomami, é sistematicamente invadida por garimpeiros, provocando conflitos e violência com os seus habitantes.  Vinte anos depois, e as invasões garimpeiras na TI Yanomami, persistem.  Em meados dos anos 1980, o garimpo ilegal em Roraima foi responsável por dizimar 15% da população Yanomami.  Toda essa violência resultou no conflito de 1993.  Naquele ano, o Centro Ecumênico de Documentação e Informação (Cedi), produziu um vídeo sobre o massacre, dirigido por Aurélio Michiles, e intitulado Davi contra Golias.  Nele, o líder Yanomami Davi Kopenawa relata em sua língua (com legendas) como aconteceu o extermínio e exibe uma foto onde os sobreviventes carregam cabaças, cestos de palha, contendo as cinzas dos mortos.  A notícia se espalhou e ativistas promoveram manifestações em todo o mundo, pedindo a punição dos culpados.  Assista ao vídeo.

Embora os garimpeiros Pedro Prancheta, Eliézer, João Neto e Curupuru, identificados como executores da barbárie, tenham sido julgados e condenados em 1996, em 2006, em decisão inédita, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) caracterizou o massacre como genocídio.  Ou seja, crime contra uma determinada etnia.  Dos demais envolvidos o que se sabe é que alguns morreram, mas a maioria desapareceu na Amazônia brasileira.

Fonte: ISA

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