Resíduos Sólidos: Pesquisa Ibope revela hábitos de moradores de Rio Branco

A maioria da população de Rio Branco está disposta a mudar seus hábitos a favor de práticas mais sustentáveis de consumo e destinação do lixo, segundo revelou a pesquisa de opinião Ibope apresentada no último dia 31 de julho, na Conferência Municipal de Meio Ambiente.

Rio Branco, representando o momento econômico que vive a região Norte, aparece como a cidade com maior intenção de consumo de bens nos próximos anos. É também a cidade com a população mais disposta a adotar a coleta seletiva (93%). Porém, apenas 12% da população tem acesso hoje ao serviço. A maioria (61%) acredita que mais informação sobre o sistema de coleta de lixo possa fazer a diferença para que mais pessoas separem o lixo. Como mostra da disposição de mudança, 64% dos entrevistados disseram aceitar participar de movimentos em suas comunidades para a divulgação de boas práticas de consumo e descarte.

“É uma cidade que traz uma dualidade interessante: foi aberto um caminho para a conscientização da importância das causas ambientais, mas a população não conta com instrumentos para mudar o comportamento. Rio Branco é um exemplo de que o processo de conscientização ainda é importante antes de se pensar diretamente nas ações práticas: informação ainda é uma carência da região”, afirma Natália Borges, técnica do Ibope.

Dentre os itens mais separados pelos moradores, estão latas (48%), plásticos (59%) e papéis e papelões (57%). Na cidade, a grande parte da coleta seletiva é feita hoje por catadores (62%).

Apesar da baixa percepção de problemas gerados pelo lixo ao meio ambiente pelos entrevistados das cinco cidades, Rio Branco teve destaque. 18% entendem a relação do lixo com a contaminação de rios e mananciais.

A cobrança pela taxa de lixo não deixa de dividir opiniões. 41% declararam disposição para pagar taxa semelhante contra 57%.

Os catadores de materiais recicláveis são personagens conhecidos dos cidadãos de Rio Branco, 75% reconhecem os trabalhadores. Mas apenas 36% compreendem que eles prestam um serviço importante à comunidade.

A um ano da entrada em vigor da Política Nacional de Resíduos Sólidos, apenas 7% tem conhecimento da política e 30% já ouviu falar a respeito de alguma lei sobre lixo na cidade.

“A questão do consumo sustentável na região amazônica traz um viés importante como espelho da conjuntura social nacional: conciliar crescimento econômico com práticas sustentáveis é um grande desafio num país que ainda conta com boa parte de sua população na pobreza”, conclui Natalia.

O Ibope ouviu 301 moradores da capital acreana, com mais de 16 anos, das classes A/B (26%), C (64%) e D/E (10%), em junho de 2012. A pesquisa faz parte de um estudo sobre Consumo Sustentável realizado em outras quatro cidades: Natal (RN), Caxias do Sul (RS), Pirenópolis (GO) e Belo Horizonte (MG).

A pesquisa foi encomendada pelo Programa Água Brasil, que atua na cidade em parceria com a Prefeitura Municipal e a Catar (Cooperativa de Catadores de Materiais Recicláveis do Estado do Acre), para apoiar a implementação da agenda da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) em Rio Branco.

O Programa Água Brasil é uma iniciativa do Banco do Brasil, da Fundação Banco do Brasil, da organização ambientalista WWF-Brasil e da Agência Nacional de Águas (ANA). Em Rio Branco, o Programa, com apoio dos parceiros, atua em três frentes complementares: fortalecimento da capacidade produtiva e de gestão da CATAR; apoio à implementação da coleta seletiva em Rio Branco e dos planos de Educação para o Consumo Responsável e de Comunicação Comunitária.

Fonte: WWF Brasil

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