Natura e a comunidade indígena Suruí da Amazônia anunciam parceria inédita para ajudar o clima e as florestas

A Natura e o Povo Paiter Suruí celebram parceria histórica dentro do contexto do Projeto de Carbono Florestal Suruí. A empresa é a primeira do mundo a comprar créditos de carbono indígena, emitidos pelo VCS (Verified Carbon Standard).

O recurso investido pela Natura será usado para implementar o Plano de Gestão de 50 anos do Povo Paiter Suruí e investido na melhoria da qualidade de vida, na proteção e manejo de suas florestas. “Desde que assumiu o compromisso de ser uma empresa Carbono Neutro, em 2007, a Natura faz a compensação de 100% de suas emissões”, diz Denise Alves, diretora de Sustentabilidade. Para compensar o triênio 2011/2012/2013, a Natura trabalha com nove projetos e tem outros três ainda em negociação.

Desde 2006, quando iniciou o processo, a Natura tem como meta reduzir em até 33% as emissões relativas até 2013. Até o fim de 2012, a redução já havia alcançado 28,4%.

Promovido pelo Povo Indígena Paiter Suruí juntamente com várias instituições parceiras, o Projeto de Carbono Florestal Suruí (PCFS) é pioneiro no Brasil e no mundo por ser o primeiro projeto de REDD+ indígena a ser validado nas certificações internacionais do Verified Carbon Standard (VCS) e Climate Community and Biodiversity Standard CCB.

“O desenvolvimento só é alcançado por quem tem uma visão de médio e longo prazo. As futuras gerações também têm direito de viver, direito de ter floresta. A floresta não precisa ser intocada, mas tem de ser usada com responsabilidade”, diz o líder Almir Suruí.

Sobre o Projeto de Carbono Florestal Suruí (PCFS) O Carbono Florestal Suruí é o primeiro projeto de REDD+ (Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação) no mundo, dentro de uma terra indígena, a vender créditos de carbono. O protagonismo das lideranças indígenas do Povo Paiter Suruí surgiu como alternativa de financiamento e perspectiva de geração de renda para o manejo integrado de territórios indígenas, dentro do Plano de Gestão de 50 anos da Terra Indígena Sete de Setembro, que compreende 248 mil hectares de florestas em Rondônia e Mato Grosso.

Foram feitos vários estudos, levantamentos antropológicos e biológicos em dezenas de visitas à Terra Indígena Sete de Setembro. Durante todo o processo de desenvolvimento, o Povo Paiter Suruí trabalhou junto aos órgãos governamentais estadual e federal na construção de um caminho adequado para o desenvolvimento de projetos dessa natureza com povos indígenas, tendo o programa sido reconhecido pela Funai como projeto modelo.

Um dos principais cuidados do Povo Paiter Suruí na construção do projeto foi a implementação de salvaguardas socioambientais através do Processo de Consentimento Livre, Prévio e Informado – PCLPI, que seguiu as orientações da Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho – OIT. Essa etapa do projeto foi de grande importância para a assinatura do memorando de entendimento firmado entre as seis associações que compõem o Povo Paiter Suruí, reunindo cerca de 1.300 indígenas.

A Associação Metareilá do Povo Suruí é a proponente do Projeto de Carbono Florestal Suruí e incumbida de realizar o trabalho em atenção ao Plano de 50 anos.

Programa Natura Carbono Neutro

Desde 2007, quando criou o programa Carbono Neutro, a Natura investe em novas fontes energéticas e em ecoeficiência para cortar parte das emissões de gases que causam o efeito estufa. Em quatro anos, conseguiu reduzir em 9,6% as emissões absolutas de CO² da empresa, considerando os centros de distribuição e espaços administrativos, além das fábricas de Cajamar (SP) e Benevides (PA), que tiveram suas caldeiras substituídas.

A Natura tem o compromisso de reduzir um terço das suas emissões relativas de Gases do Efeito Estufa (GEE) do ano base de 2006 até o fim de 2013. As emissões que não puderem ser evitadas com iniciativas internas de reduções são neutralizadas pelo programa de compensação, que por meio do Edital Carbono Neutro convida, em chamado público, instituições que apresentam projetos de redução de emissões ou remoção de GEEs da atmosfera e encontram-se alinhadas às crenças e valores da empresa.

Parceiros

O Povo Paiter Surui conta com o apoio e assessoria técnica das organizações: IDESAM, Kanindé, ECAM, FUNBIO e Forest Trends.

O IDESAM (Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável do Amazonas) coordenou a elaboração técnica dos primeiros projetos REDD validados no Brasil e desenvolveu uma metodologia especifica para terras indígenas para atender os critérios de validação e verificação do Projeto Suruí nos padrões do VCS e CCB (www.idesam.org.br).

Em 1997, a Associação de Defesa Etnoambiental Kanindé desenvolveu juntamente com os Paiter Suruí o diagnóstico etnoambiental participativo que serviu como base para a construção do trabalho técnico do Projeto Suruí Carbono com a comunidade. A metodologia, que ganhou o Prêmio Chico Mendes do Ministério do Meio Ambiente em 2006, já foi aplicada em mais de 10 territórios indígenas, sendo a mais aplicada dentro do Brasil para a realização de etnozoneamentos. A Kanindé também desenvolveu o trabalho de monitoramento da biodiversidade dentro da Terra Indígena Sete de Setembro, componente crucial para que o projeto alcance a Certificação Ouro do projeto e tenha assegurada a manutenção da biodiversidade da região (www.kaninde.org.br).

A Equipe de Conservação da Amazônia (ECAM) coordenou o trabalho do Processo de Consentimento Livre, Prévio e Informado – PCLPI, em conjunto com os Paiter Suruí e a Metareilá. A ECAM também deu apoio aos Paiter Suruí no desenvolvimento do plano de proteção da Terra Indígena e na formação de agentes ambientais indígenas, que vêm desenvolvendo ações de monitoramento e proteção dos limites do território (www.ecam.org.br).

O Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (FUNBIO) estruturou o Fundo Suruí, que é o mecanismo financeiro do programa de 50 anos do povo Paiter Suruí. O Fundo é 100% administrado pela comunidade indígena (www.funbio.org.br). O investimento da Natura será administrado pelo Fundo em outra ação pioneira do projeto.

Com seu programa de incubadora de projetos de serviços ambientais em comunidades, o Forest Trends ajudou o Suruí a iniciar o processo de avaliação e viabilidade do projeto, acompanhando todos os estágios, fornecendo apoio técnico e financeiro na formulação e implementação, facilitando análises sobre aspectos jurídicos, capacitação sobre o tema de serviços ambientais, treinamento para monitoramento do impacto socioambiental e identificação de possíveis investidores a serem avaliados pelos Paiter Suruí, em conjunto com as demais organizações parceiras.

Fonte: Plurale

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