Marcha pelos direitos indígenas e quilombolas reúne cerca de mil pessoas na Av. Paulista

Entoando músicas e portando faixas e cartazes, manifestantes pararam a Av.Paulista e caminharam até o Monumento às Bandeiras, no Parque do Ibirapuera, protestando contra o ataque aos direitos de índios e populações tradicionais

Final da manifestação no Monumento às Bandeiras

A concentração dos manifestantes foi no vão livre do Museu de Arte de São Paulo – Masp – no centro financeiro da capital paulista.  Por volta das 17h30, teve início a passeata na qual os manifestantes levavam cartazes e faixas pedindo o fim da PEC 215, do PLP 227, da Portaria da AGU 303, a demarcação das terras Guarani, dos terrítórios quilombolas e em defesa da Constituição.

Av. Paulista no início da noite desta quarta-feira

Eram aproximadamente 400 índios vindos das aldeias guarani do Vale do Ribeira, de Parelheiros e do Jaraguá, em São Paulo, de Bertioga, no litoral paulista, e 200 quilombolas de comunidades do Vale do Ribeira e do interior do estado. O cacique Megaron Txucarramãe, kaiapó, que se encontra em São Paulo, também participou da manifestação.

A eles se juntaram outros manifestantes que saíram em caminhada, paralisando o trânsito em uma das avenidas mais movimentadas da capital. Acompanhados de perto por policiais militares e pela tropa de choque, os manifestantes seguiram até a esquina da Rua Augusta e dali retornaram pelo outro lado da Paulista, até a Av. Brigadeiro Luís Antônio, por onde seguiram até o Parque do Ibirapuera. Além de denunciar as ameaças aos direitos indígenas no Congresso Nacional, os guarani reivindicam a demarcação de suas terras e de todos os povos indígenas.

Um dos momentos marcantes da caminhada foi quando os manifestantes se detiveram em frente à estátua do bandeirante paulista Bartolomeu Bueno da Silva, conhecido como Anhanguera, na calçada do Parque Trianon, na Av. Paulista. Enquanto alguns manifestantes cobriam a estátua com uma bandeira com grafismos indígenas, um coro entoava uma palavra de ordem: ”Assassino, assassino”.

Os guarani consideram que os bandeirantes são assassinos de seus antepassados. Por essa razão fecharam na manhã de dia 26 de setembro um trecho da Rodovia dos Bandeirantes e também por esse motivo, a manifestação de hoje, que durou quatro horas, comandada pelo cacique guarani Adolfo Timóteo, da aldeia Rio Silveira, de Bertioga, foi encerrada no Monumento às Bandeiras, em frente à Assembleia Legislativa de São Paulo. Em documento que distribuíram durante o ato, os guarani escrevem: “Os ruralistas de hoje são os bandeirantes de ontem”.

Guarani estendem faixas no Monumento às Bandeiras no final da manifestação

No vão livre do Masp, artista desenhou cartaz lembrando a terra e a sementes tradicionais guarani O ato público desta quarta-feira em São Paulo reunindo índios e quilombolas foi organizada pela Comissão Guarani Yvyrupa e integra a Mobilização Nacional Indígena, convocada pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), que vai de 30 de setembro a 5 de outubro, data em que a Constituição brasileira comemora 25 anos. A Mobilização Nacional Indígena conta com apoio de várias organizações da sociedade civil, como o ISA, o Centro de Trabalho Indigenista (CTI), a Comissão Pró-Índio de São Paulo e o Greenpeace, entre várias outras.

 

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