Governo federal declara emergência fitossanitária em Mato Grosso

Milho guaxo repleto de ovos de Helicoverpa em meio à soja

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) declarou estado de emergência fitossanitária para Mato Grosso em razão da disseminação da lagarta Helicoverpa armigera sobre todas as regiões produtoras do Estado. O reconhecimento veio por meio da portaria 1.130, assinada pelo ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Antônio Andrade e publicada ontem no Diário Oficial da União. A medida é válida para todo Estado por um ano.

Com a declaração, os produtores mato-grossenses poderão importar em caráter emergencial o benzoato de Emamectina, pesticida eficaz contra a praga e que ainda não tem produção liberada no país pela ausência de registrados concedidos pelo comitê formado pelo Ministério da Agricultura, Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Renováveis (Ibama) e Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Mesmo com registros e confirmações da Helicoverpa armigera na nova safra de soja, o gênero mais grave da espécie, o tratamento diferenciado ao Estado só veio quase três semanas após o Mapa declarar o oeste baiano como de emergência fitossanitária – ocorrido no início do mês – e depois de muita argumentação e exposições sobre a situação fitossanitária no Estado, oficializada há dias por autoridades mato-grossenses, junto do governo federal. Na semana passada, o governo mato-grossense solicitou ao Mapa a declaração de emergência para a Helicoverpa armigera, com base na Lei 12.873, de 24 de outubro deste ano. A lagarta considerada exótica e que foi identificada na safra 2012/13 no país, tem grande poder de destruição sobre as lavouras porque ataca basicamente os frutos e seu controle não tem sido eficaz com os produtos químicos comercializados no Brasil, especialmente, os piretroídes.

A nova safra de soja, cujo plantio teve início em setembro, no Estado, já tinha casos confirmados da praga pela Comissão de Defesa Sanitária e Vegetal do Mapa em Mato Grosso, ainda no início de outubro. Em várias regiões visitadas pela Comissão coordenada pelo fiscal federal Wanderlei Dias Guerra, a população de Helicoverpa do gênero armigera em plantas de soja que mal haviam entrado no estádio reprodutivo causou pânico entre produtores e técnicos pela rápida infestação das lavouras de norte a sul de Mato Grosso e pela voracidade do ataque.

A praga

No início do mês, ao reconhecer apenas o oeste da Bahia, o Mapa causou grande frustração aos produtores mato-grossenses que aguardavam para aquela data a declaração de estado de emergência para a Helicoverpa, praga que no Estado já infestou todas as culturas da safra 2012/13 – milho, algodão, soja, milheto e sorgo – e ameaça a safra 2013/14, iniciada com o cultivo da soja. Como explica O diretor técnico da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja/MT), Luiz Nery Ribas, o risco de infestação da praga já virou realidade para muitos produtores.

Como reforçou Ribas, os produtores de Mato Grosso estão preocupados porque a presença da lagarta foi constatada em mais de 30 municípios durante o período de vazio sanitário da soja, que perdurou até 15 de setembro. “Enquanto havia a incerteza em relação ao estado de emergência, em conjunto o serviço de Defesa Vegetal do Ministério da Agricultura em Mato Grosso e a Aprosoja/MT montou um sistema de alerta para a Helicoverpa armigera, com instalação de armadilhas de feromônio (hormônio sexual) da mariposa nas regiões produtoras para acompanhar a dispersão da praga e isso vem dando resultados”.

Como completa Dias Guerra, a situação é crítica. No início do mês, durante visitas na região de Campo Verde (139 quilômetros ao sul de Cuiabá), o coordenador ficou impressionado com o que encontrou. “Nunca tinha visto tantos ovos de Helicoverpa por metro quadrado e olha que tenho andado este Mato Grosso. Existem ainda ‘lavouras’ de milho guaxo em meio à de soja. Vi 12 ovos em 20cm de linha + 30 em uma única espiga, bem como nos cabelos dela. As lagartas adultas estão por todo o lado. Tem ovos de todos os dias”.

Reconhecimento

Como informa o Mapa, até o momento, apenas a Bahia e o Mato Grosso tiveram a emergência reconhecida. O Órgão Estadual de Defesa Agropecuária de cada estado – no caso o Indea/MT – será responsável por elaborar um plano de supressão baseado nos conceitos e práticas do Manejo Integrado de Pragas (MIP), desenvolvido pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). A especificação exata da área atingida pela praga deve ser divulgada em outra portaria nos próximos dias. O MIP integra e resgata o controle fitossanitário por meio do manejo biológico e fisiológico.

Por: Marianna Peres
Fonte: Diário de Cuiabá

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