Cleber Buzatto: “O Estado brasileiro não pode aprovar a PEC 215”

O ano de 2013 foi novamente de muita luta para o CIMI (Conselho Indígena Missionário). Em diversos estados brasileiros tribos foram para o enfrentamento para garantir seus direitos e é esse ponto que Cleber Busatto, secretário Nacional da entidade, leva como positivo.

“Pela conjuntura do país, consideramos que 2013 foi de saldo positivo para as lutas indígenas. Os povos realizaram uma série de manifestações fazendo frente a um cenário adverso, batendo de frente com os ruralistas”, comemorou Busatto.

Diversas pautas estão na agenda de 2014, mas a atenção maior será para a PEC 215, que retira da União o poder de demarcar terras indígenas e passa essa responsabilidade para o Congresso, dominado pela bancada ruralista.

“Continuaremos mobilizados e construindo nossas relações políticas para que o Estado brasileiro não aprove esse retrocesso contra os povos indígenas. A bancada ruralista vai fazer de tudo para aprovar a PEC já no primeiro semestre para ter uma bandeira para as eleições. Existem também os prazos legais do Congresso, mas tudo vai depender também das mobilizações das tribos pelo Brasil”, explica.

Caso Tenharim

O caso dos Tenharims é evidenciado pelo secretário. Em 2013, depois da morte do cacique Ivan Tenharim e do sequestro de três homens, atribuído os índios, no dia 16 de dezembro, eles foram impedidos de entrarem na cidade de Humaitá (AM) e estão isolados na tribo recebendo ajuda da Funai.

Cleber acredita que esses conflitos acontecem por conta do ataque dos políticos contra tribos pelo Brasil e vão continuar ocorrendo em 2014. “Esse processo de ataque vai seguir. É um discurso inflamatório, potencializa o preconceito contra os índios e as ações de violência física. Tudo isso serve para dar um ar de legitimidade ao ataque da bancada ruralista. O intuito é facilitar o acesso e a exploração das terras indígenas”, diz.

Por Bruno Pavan
Fonte: Brasil de Fato

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