Cheia do Rio Madeira não está relacionada às hidrelétricas, garante CPRM

A operação das usinas hidrelétricas Santo Antônio e Jirau no Rio Madeira não influencia a cheia do rio, segundo avaliação do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), que monitora a vazão do rio. “Não temos observado influência das usinas, porque elas são a fio d’água, não retêm água. Elas têm um protocolo de nível mínimo e máximo, e têm mantido isso o tempo inteiro. A água que entra, passa”, explica o diretor de Hidrologia e Gestão Territorial do CPRM, Thales Sampaio.

Segundo o diretor da CPRM, o que está causando a cheia no Rio Madeira é o excesso de chuvas na Bolívia, onde ficam as cabeceiras do rio. “Choveu acima da média desde outubro na Bolívia, especialmente em janeiro e fevereiro”, diz o diretor. Segundo ele, esta é a maior cheia do Rio Madeira dos últimos 47 anos, desde que o nível do rio é medido. “É também a maior cheia de que temos notícia, deve ser de mais de 100 anos”.

O Movimento dos Atingidos por Barragens relaciona a cheia do Madeira com a operação das usinas hidrelétricas. “É impossível não ter influência, porque a barragem é feita para barrar a água, e temos duas barragens enormes aqui”, disse João Dutra, que é militante do movimento em Rondônia.

Por causa da cheia, o Operador Nacional do Sistema Elétrico determinou o rebaixamento do nível do reservatório da Usina Santo Antônio, para evitar que as estruturas provisórias de Jirau fossem afetadas. Com isso, foi necessário o desligamento de 11 das 17 turbinas de Santo Antônio, porque não há água suficiente na barragem para permitir o funcionamento dos equipamentos.

“O desligamento das turbinas da hidrelétrica tem causa exclusivamente técnica, e é em consequência da cheia histórica do Rio Madeira”, disse, em nota, a Santo Antônio Energia, responsável pela usina. A empresa esclareceu também que não há qualquer risco de a barragem se romper em situação de cheia, porque tem capacidade para verter quase duas vezes a atual vazão do Rio Madeira. A empresa afirma que não haverá problemas no fornecimento de energia, porque a energia que não está sendo gerada, neste momento, é compensada pelas usinas do Sistema Interligado Nacional.

A Hidrelétrica Santo Antônio opera com 17 turbinas, gerando aproximadamente 1,2 mil megawatts de energia. A Usina de Jirau iniciou a operação com uma turbina de 75 megawatts.

A previsão da meteorologia é que chova bastante nos próximos 15 dias. “Podemos esperar que o Rio Madeira continue alto durante todo o mês de março”, diz Thales Sampaio, da CPRM.

Por: Sabrina Craide
Fonte: Agência Brasil – EBC
Edição: Beto Coura

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2 comentários em “Cheia do Rio Madeira não está relacionada às hidrelétricas, garante CPRM

  • 1 de abril de 2014 em 10:27
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    Já eu sugiro uma confrontação entre a topografia da Br 364 e a hidrelétrica em questão. tenho certeza que esta acontecendo um REFLUXO ou seja, o próprio rio Madeira ou o Mamore deu a volta no reservatório da hidrelétrica.

  • 10 de março de 2014 em 10:45
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    Lamentavelmente a população prefere não a verdade, mas as conspirações, os mitos. Jornalistas tampouco preferem a realiade, por isso divulgam que as usinas pararam de gerar para acumular volume e evitar maiores alagamentos em Porto Velho. Há uma frase atribuída a Getúlio que sintetiza a essência da cultura da informação no Brasil: “não me conte os fatos, mas a versão”.
    a versão é que importa, por mais que nos esforcemos em divulgar a verdade. Poucas pessoas prestarão atenção nos esclarecimentos do CPRM. O MAB é um dos que alimenta o terrorismo ambiental, se propaganda comercial enganosa é crime, espalhar boatos também deveria ser. O pior é que nem o Ministério Público tem peritos competentes para analisar a situação da forma correta. Por outro lado, se a inundação de Porto Velho não tem causa na construção das hidrelétricas, o alagamento da BR-364 deve ser analisado com detalhe e preocupação. Eu sugiro uma revisão da topografia da área de inundação do reservatório de jirau.

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