Funai realiza ação para retirar garimpeiros da área Yanomami

A Fundação Nacional do Índio (Funai) iniciou, na quinta-feira, a primeira ação de retirada de garimpeiros deste ano, na terra indígena Yanomami. A missão, chamada de Korekore, vai durar trinta dias, com o objetivo de prender 200 garimpeiros que atuam ilegalmente no rio Uraricoera.

A operação envolve 15 servidores da Funai, que na quinta-feira foram levados de avião para a base inaugurada no ano passado nas margens do Uraricoera, e dois policiais federais. Conta ainda com 18 policiais militares da Cipa (Companhia Independente de Policiamento Ambiental) e do Bope, que se deslocaram ontem para a região.

Os yanomami dão apoio ao trabalho da Funai e dos policiais, servindo de guias e de pilotos dos barcos pelo Uraricoera e seus afluentes.

A fiscalização ocorre em uma faixa de cinquenta a setenta quilômetros do rio, atualmente o principal ponto de extração ilegal de ouro na reserva indígena.

Segundo Sewbert Rodrigues Jati, agente indigenista que atua na Frente de Proteção Etnoambiental Yanomami e Ye’kuana da Funai em Roraima, o trabalho tem duas bases simultâneas, de onde os policiais saem para fazer o monitoramento do rio.

A garimpagem na reserva ocorre basicamente nos rios, em áreas de difícil acesso. Os garimpeiros usam pistas de pouso clandestinas para abastecer as balsas utilizadas na extração do minério.

Pelo menos uma destas pistas já foi identificada e será destruída com dinamite durante a missão. “A pista vai ser dinamitada e vamos fazer um canal para que ela seja inundada e não volte a ser utilizada”, informou Jati.

A Funai já sabe onde os pontos de extração ilegal de ouro se concentram, pois realizou vários sobrevoos na região antes de desencadear a operação.

Segundo Jati, foram identificados outros dois pontos de garimpagem fora do Uraricoera, que também serão destruídos em missões a serem realizadas nos próximos meses. Ele não informou os locais para evitar prejuízo à investigação.

Ao serem encontradas, as balsas serão afundadas, após serem retirados os equipamentos como motor de luz e alimentos, que serão doados para as comunidades.

Quanto aos garimpeiros localizados na reserva, deverão ser presos e posteriormente trazidos para a sede da Polícia Federal, em Boa Vista, onde deverão ser indiciados em vários delitos, entre eles, crime ambiental, usurpação de bens da União e formação de quadrilha.

A reserva Yanomami ocupa uma área de 9.664.975 hectares em Roraima e no Amazonas. A população é de aproximadamente 20 mil índios, divididos em 228 comunidades.

A presença de garimpeiros é o principal problema enfrentado pelos índios, que sofrem com as doenças, poluição dos rios e distúrbios no convívio social provocado pelo aliciamento dos indivíduos para o crime. Os garimpeiros oferecem bebida alcoólica, combustível e dinheiro em troca da ajuda dos índios na atividade ilícita.

No ano passado, 300 garimpeiros foram retirados do rio Mucajaí, em dez operações realizadas pela Funai. Mais de quarenta balsas foram desativadas e a Funai construiu uma base de etnodesenvolvimento, com monitoramento constante na região, na entrada do rio.

“Hoje, o grande problema é o rio Uraricoera, mas com a construção da base naquela região e a retirada dos garimpeiros, acredito que será possível resolver a situação ali também”, disse.

A presença de garimpeiros no Uraricoera, com a consequente poluição das águas pela utilização do mercúrio, não afeta apenas os índios. Juntamente com o Tacutu, o Uraricoera forma o rio Branco, que, com seus afluentes, abastece de água boa parte da população roraimense

Por: Loide Gomes
Fonte: Folha de Boa Vista

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