Isolado do Brasil por estrada, Acre pode sofrer desabastecimento

Caminhões com destino ao Acre, na travessia do Rio Madeira

Isolado do resto do país por causa do fechamento da BR-364, cuja pista em três trechos, em Rondônia, está coberta pelas águas da enchente histórica do Rio Madeira, o Acre pode enfrentar a partir de segunda-feira (24) problema de desabastecimento.

Os trechos interrompidos localizam-se nos distritos de Jaci-Paraná, Nova Mutum e Vista Alegre do Abunã, onde a lâmina d’água sobre a pista atinge 60 centímetros. Embora represem água em Porto Velho, os consórcios responsáveis pela construção das usinas hidrelétricas de Jirau e Santo Antonio negam qualquer relação das obras com a cheia histórica.

A prefeitura de Rio Branco anunciou que a cheia do Madeira já compromete a renovação do estoque de alguns alimentos. O diretor da Central de Abastecimento de Rio Branco, Paulo Sérgio Braña, alertou que alho, batata, beterraba, cenoura e outras frutas verduras que não são típicas da região Norte ou não há autossuficiência na produção local, podem faltar.

– Os caminhões com esses produtos que estavam para chegar a Rio Branco estão em Porto Velho e não conseguem se deslocar para o Acre – explicou Braña.

Mas, levando-se em conta a sazonalidade (período de safra), o abastecimento da Ceasa está garantido com mandioca, algumas verduras foleosas, banana, milho e outros. Segundo o diretor, os atacadistas baseados na Ceasa aguardam a retomada da normalidade na estocagem de alimentos. Se isso não ocorrer, as autoridades pretendem definir estratégias de abastecimentos que não seja pela BR-364. Entre as opções estão a utilização de balsas e barcos no Rio Juruá e a aquisição de alguns alimentos no Peru.

O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) decidiu na sexta pela interdição total da BR-364, no trecho que liga Rondônia ao Acre, até que o nível das águas do Rio Madeira apresente sinal de vazante. O tráfego de caminhões foi liberado no final da tarde, mas permanecerá fechado durante a noite por questão de segurança.

O DNIT passou a permitir a passagem de caminhões para não acelerar a possibilidade de desabastecimento de produtos hortifrutigranjeiro no Acre.

Os empresários informaram ao governo estadual que os alimentos em geral estão garantidos por um período de até 30 dias caso não haja recebimento de nova carga. De acordo com eles, se a estrada permanecesse totalmente interditada durante o fim de semana, apenas o abastecimento de hortifrutigranjeiro ficaria comprometido na segunda.

Em Rondônia, depósito de Madeira inundado

O governo federal disponibilizou ao governo estadual um voo da FAB para transportar produtos hortifrutigranjeiros. A carga perecível, que estava sendo transportada para Rio Branco, será embarcada no avião da FAB em Porto Velho. Com a medida, segundo o governo, afasta-se a possibilidade de falta dos produtos na próxima semana e de alteração nos preços.

Os governadores do Acre, Tião Viana (PT), e de Rondônia, Confúcio Moura (PMDB), anunciaram em redes sociais que receberam telefonemas da presidente Dilma Rousseff garantindo apoio irrestrito do governo federal para socorro aos desabrigados e recuperação de danos causados pelas enchentes.

Rio Branco também enfrenta problemas por conta da cheia do Rio Acre. Com profundidade de 14,96m (situação de transbordamento), a enchente levou a Defesa Civil a providenciar abrigo para 309 famílias, num total de 1.221 pessoas, sendo 436 crianças.

Em Porto Velho, a cheia histórica do Rio Madeira atingiu a marca recorde de 18,22 metros neste sábado. Mais de 1,6 mil famílias foram desabrigadas pelas águas, mas as autoridades estaduais asseguram que a situação ainda está sob controle. Um grupo de 30 bombeiros da Força Nacional de Segurança (FNS) já chegou ao Estado para ajudar nas ações da Defesa Civil.

O governo estadual apostava que a falta de chuvas na Cordilheira dos Andes minimizaria o impacto da cheia na região, mas o Madeira continua a subir.

A BR-364 é a única rota para entrar e sair do Acre por via terrestre. Para chegar ou sair do Acre o Rio Madeira é passagem obrigatória. No distrito de Abunã (RO), a 280 quilômetros de Rio Branco (AC), não existe ponte, embora haja pontes imponentes na mesma rodovia, no trecho que liga Rio Branco aos demais municípios. Além disso, existem outras pontes na BR-317, que, a partir da tríplice fronteira Brasil, Bolívia e Peru, é chama de Estrada do Pacífico.

Por: Altino Machado
Fonte: Terra Magazine/ Blog da Amazônia 

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