Isolado do país por cheia, Acre decreta situação de emergência

BR-364, que liga Rondônia ao Acre, afetada pelas águas da cheia histórica do Rio Madeira

O governador do Acre, Tião Viana (PT), decretou situação de emergência nas áreas do Estado afetadas direta e indiretamente por enchentes. Por causa da cheia do Rio Madeira, quatro trechos da BR-364, única ligação rodoviária do Acre o restante do país, estão com a pista submersa em lâmina d’água de 80 centímetros. A situação de emergência durante 90 dias já foi reconhecida pela Defesa Civil Nacional.

O tráfego de veículos pequenos na rodovia que liga Rondônia ao Acre está interrompido, sendo autorizado a passagem apenas de caminhões com alimentos. Em Porto Velho, o prefeito Mauro Nazif (PSB) declarou situação de calamidade pública também em razão da enchente do Rio Madeira, que vem se mantendo com o nível de 18,58 metros acima da cota de alerta.

O centro comercial de Porto Velho está completamente tomado pelas águas. O Mercado Municipal, Restaurante Popular, Mercado do Peixe e o Terminal Hidroviário também foram interditados pela prefeitura, para quem a cidade já sofreu prejuízos decorrentes da cheia que somam R$ 586 milhões.

Em Rio Branco, o nível do Rio Acre nesta quinta é 14,81 m, ou seja, 81 centímetros acima da cota de transbordamento. O rio subiu 44 centímetros em 24 horas. Existem 1,3 mil pessoas (331 famílias) sendo mantidas pela Defesa Civil em abrigos.

No decreto de situação de emergência, publicado na edição do Diário Oficial do Estado desta quinta-feira, o governo do Acre considera as “intensas e extraordinárias” chuvas no Estado e em Rondônia, bem como na Bolívia e no Peru. O governo admite o risco de desabastecimento de itens básicos para manutenção das atividades públicas e privadas no Estado, a exemplo de alimentos e combustíveis.

De acordo com o governo do Acre, os prognósticos técnicos a respeito de precipitação pluviométrica nos próximos dias, indicam a continuidade do aumento do nível dos rios da região. O decreto do governador considera que “a situação é um evento natural, de evolução gradual, e que as medidas emergenciais de amparo à população são urgentes e necessárias”.

Embora represem água em Porto Velho, os consórcios responsáveis pela construção das usinas hidrelétricas de Jirau e Santo Antonio negam qualquer relação das obras com a cheia histórica.

Por determinação do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), a Hidrelétrica Santo Antonio desligou as turbinas no começo da semana por questão de segurança. Jirau está com apenas quatro turbinas em operação.

A paralisação da usina tenta minimizar o sofrimento de ribeirinhos e da população de Porto Velho. Além disso, segundo o ONS, como estão em final de obra, algumas áreas de Jirau e Santo Antonio têm estruturas frágeis e provisórias. O risco de um acidente poderia aumentar por causa do volume de água do Madeira.

Caminhões com destino ao Acre, na travessia do Rio Madeira

Por: Altino Machado
Fonte: Terra Magazine/ Blog da Amazônia 

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