Polícia escolta carros em reserva no AM

Operação em trecho da Transamazônica começou um dia após prisão de cinco índios suspeitos de assassinato. Advogado dos presos deve pedir habeas corpus hoje; PF afirma que investigação aponta para homicídio.

Diante da tensão entre moradores e índios, equipes da Polícia Rodoviária e da Força Nacional de Segurança passaram a escoltar carros que cruzam a reserva dos índios tenharim, em Humaitá (AM).

A operação começou na sexta-feira, um dia após cinco índios terem sido presos, acusados pelo suposto assassinato de três homens que passavam de carro pela reserva. Eles estão desaparecidos desde 16 de dezembro.

A escolta começa no desembarque da balsa de Humaitá, no rio Madeira. Os policiais esperam um comboio se formar nesse ponto da rodovia Transamazônica e entram na área indígena. O trecho que atravessa a reserva dos tenharim –onde moram cerca de 800 índios, em oito aldeias– tem 40 km.

A operação da balsa também passou a se encerrar às 14h, em vez das 19h.

A operação seguirá por tempo indeterminado. O objetivo é evitar confrontos entre indígenas e a população.

O clima de tensão na região se intensificou depois do desaparecimento do funcionário da Eletrobras Aldeney Salvador, do representante comercial Luciano Ferreira e do professor Stef de Sousa. Em protesto, moradores de Humaitá chegaram a atear fogo no prédio da Funai.

A Polícia Federal deteve em um presídio de Porto Velho (RO) o cacique Domiceno, da aldeia Taboca, Valdinar e Simião, da aldeia Marmelo, e os irmãos Gilvan e Gilson, da aldeia Kampinho.

A defesa dos índios vai pedir habeas corpus hoje. O advogado Ricardo Tavares de Albuquerque diz que eles negam a acusação de homicídio.

Familiares dos desaparecidos alegam, porém, que Alexandre Alves, delegado da PF, deu detalhes a eles de como o assassinato teria ocorrido.

Segundo Stefanon Pinheiro de Sousa, irmão de Stef de Sousa, Alves informou que Salvador foi degolado e Sousa e Ferreira, mortos a tiros.

“As conclusões da investigação apontam para a ocorrência de homicídio praticado pelos presos dentro de uma das aldeias e posterior ocultação dos cadáveres. Os corpos ainda não foram localizados”, disse a PF, em nota.

Por: Juliana Coissi
Fonte: Folha de São Paulo

Colaborou Jairo Barbosa, de Porto Velho

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