Como foi escrito e o que esperar do novo relatório do IPCC

Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas destacará neste dia 31 o que a comunidade científica sabe sobre os impactos, a adaptação e a vulnerabilidade às alterações em andamento no clima

Na segunda-feira (31), receberemos novas informações sobre como as mudanças climáticas estão transformando nosso planeta e como já estão provocando prejuízos sociais, econômicos e ambientais.

Essas informações virão no formato de um relatório elaborado pelo Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), mas como esse documento é construído?

O IPCC foi estabelecido em 1988 e é formado por milhares de climatologistas, geógrafos, meteorologistas, economistas e outros especialistas que representam mais de uma centena de países.

A cada cinco ou seis anos a entidade divulga um novo grande documento, chamado de Avaliação, sendo que neste ano será publicada em dezembro a quinta (IPCC Fifth Assessment Report – AR5). As outras edições foram apresentadas em 1990, 1995, 2001 e 2007, ano no qual o IPCC recebeu o Prêmio Nobel da Paz por seus esforços para compartilhar informações sobre as mudanças climáticas.

Para elaborar as avaliações, o IPCC se divide em três Grupos de Trabalho (GTs). O GT I é responsável pela “Base Científica da Mudança Climática”, o II lida com “Impactos da Mudança Climática, Adaptação e Vulnerabilidade” e o III está a cargo de explicar a “Mitigação da Mudança Climática”.

Cada GT passa anos reunindo milhares de estudos publicados em periódicos científicos e catalogando-os. Assim, o IPCC na realidade não realiza pesquisas, ele apenas divulga os resultados dos estudos de outras instituições e de universidades.

Por exemplo, o caso do aumento do nível dos oceanos. Os membros do IPCC recolhem as centenas de estudos sobre o assunto e os agrupam. Dessa forma, o relatório pode trazer frases como:

“É considerado altamente provável que nos próximos 100 anos o nível dos oceanos suba entre 26 cm a 82 cm, causando impactos para cerca de 70% das regiões costeiras do planeta.”

Em seguida à frase, são citados os estudos que a suportam, sendo que o grau de probabilidade de uma previsão sobe ou desce conforme o número de estudos que concordam com ela e a certeza dos resultados de cada trabalho.

Assim, os documentos do IPCC são, na realidade, um recorte do que a comunidade científica sabe sobre cada aspecto das mudanças climáticas.

O trabalho que veremos na próxima segunda-feira é o do GT II, sendo que o GT I divulgou o seu em dezembro de 2013, e o GT III apresentará o seu em abril.

O que esperar

De acordo com um rascunho do Sumário para Formuladores de Políticas, o relatório do GII afirmará na semana que vem que, em resposta às transformações do clima em andamento, espécies marinhas e terrestres alteraram sua abrangência, atividades sazonais, padrões de migração e interação.

Também dirá que o aumento das temperaturas piorarão a qualidade do ar através de um combinação de mais ozônio nas cidades, maiores incêndios florestais e grandes dispersões de pólen.

Informará que o nível dos oceanos continua a subir, e que mesmo, nas projeções mais conservadoras, mais de 15% das ilhas do Pacífico podem desaparecer até o fim do século.

Salientará que os impactos negativos das mudanças climáticas na agricultura já são vistos, inclusive resultando em altas súbitas nos preços dos alimentos.

Destacará que em muitas regiões os padrões de precipitação já estão alterados, afetando sistemas hidrológicos.

Reforçará a noção de que os impactos de eventos climáticos extremos, como ondas de calor, secas, enchentes e queimadas, estão cada vez mais severos e demonstram a vulnerabilidade de ecossistemas e de sistemas humanos.

“O Grupo de Trabalho II analisou milhares de artigos para produzir um relatório definitivo sobre o que sabemos dos impactos das mudanças climáticas, assim como de adaptação e vulnerabilidade”, afirmou Vicente Barros, co-presidente do GT II.

Veja os documentos da quinta avaliação do IPCC aqui.

Fonte: Carbono Brasil

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