Cheia no Madeira mantém Santo Antônio desligada

As cheias recordes do rio Madeira, que deixaram milhares de pessoas desabrigadas em Porto Velho e região, expõem uma ironia da geração hidrelétrica. Enquanto nas regiões Sudeste e Centro-Oeste do país usinas movidas à água são obrigadas a desligar turbinas porque estão sem água, no Madeira a hidrelétrica de Santo Antônio foi forçada a desativar suas operações desde o dia 17 de fevereiro devido ao excesso de água no rio.

Por meio de nota, o consórcio Santo Antônio Energia, responsável pela usina, informou que a decisão foi determinada pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). A usina foi obrigada a baixar o nível de seu reservatório “com o objetivo de evitar que as estruturas provisórias da hidrelétrica de Jirau – como as suas ensecadeiras – fossem afetadas, já que não foram dimensionadas para uma cheia histórica como a que está acontecendo”.

A barragem de Jirau está instalada a cerca de 70 km acima de Santo Antônio. O rebaixamento de seu reservatório levou à falta de queda mínima de água na barragem, para permitir o funcionamento de suas turbinas. “Na prática, é necessário que haja uma diferença mínima entre o nível do rio acima da barragem e abaixo dela – o que não ocorre, neste momento, em função do citado rebaixamento do reservatório”, alegou.

O consórcio informou que, mesmo com operação paralisada, a construção, montagem e testes das turbinas prosseguem. “Em novembro de 2016, quando estiver em pleno funcionamento, a hidrelétrica terá potência instalada de 3.566,40 megawatts, energia suficiente para abastecer mais de 44 milhões de pessoas.”

Por André Borges
Fonte: Valor Econômico 

Deixe um comentário