No Pará candidato do PSB é alvo do Ibama

A cena pré-eleitoral no Pará, maior colégio eleitoral do Norte, está mais tumultuada que caranguejo em paneiro, na definição dos ribeirinhos. Dois presidenciáveis passaram por lá nos últimos dias, a presidente Dilma Rousseff e o ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos (PSB). Enquanto Dilma comemorou a união entre PT e PMDB, que lhe garante palanque sólido no Estado, Campos tentava salvar a aliança costurada há um ano com o PSDB, que os tucanos agora querem desfazer.

Campos desembarcou em Belém na quinta-feira, um dia antes de Dilma, para lançar o deputado estadual Sidney Rosa ao Senado. Rosa, então secretário estadual, trocou o PSDB pelo PSB num arranjo firmado entre Campos e o governador Simão Jatene (PSDB), que busca a reeleição.

“O combinado era reservar vaga majoritária ao PSB na chapa tucana, a vice ou o Senado”, relembra o presidente estadual do PSB, Ademir Andrade. Agora, nos bastidores, os tucanos querem que Rosa dispute a Câmara. “Se ele não concorrer ao Senado, o PSB terá candidato ao governo”, avisa.

O arranjo implicaria um palanque duplo no Pará para Campos e Aécio Neves, presidenciável do PSDB, mas Jatene emitiu sinais de quem esboça uma traição, e tem estimulado seu vice-governador, Helenilson Pontes, do PSD, a lançar-se ao Senado.

O nome natural seria o do senador Mário Couto (PSDB), que pleiteia a reeleição, mas agora receia ser preterido pelo partido. Com 16 anos consecutivos como deputado estadual, e um mandato de senador, Couto tem um capital político que Aécio não poderia desprezar.

Não bastasse a traição urdida pelos tucanos, Campos tem outro nó para desatar. O nome de Sidney Rosa pode constranger sua vice, a ex-ministra Marina Silva. A família de Rosa detém uma madeireira – Rosa Indústria Madeireira -, que é alvo do Ibama em ações de combate ao desmatamento.

Quando Rosa foi prefeito de Paragominas (1996-2004), a cidade era um dos focos de devastação na Amazônia. Para complicar, quando era secretário de Desenvolvimento, Rosa estimulou pesquisas sobre o plantio de arroz na ilha de Marajó e irritou os ambientalistas.

No entanto, o presidente local do PSB lembra que o sucessor de Rosa na prefeitura, Adnan Demachki, do mesmo grupo político, criou o selo de “município verde” e transformou Paragominas em modelo de sustentabilidade. “Rosa é íntegro e correto, é madeireiro, mas preocupado com a sustentabilidade”, defende.

Enquanto seus adversários contornam impasses, Dilma larga com o palanque estruturado. Na sexta-feira – na segunda visita que fez ao Estado em pouco mais de um mês – celebrou a aliança com o PMDB, contra petistas que resistem ao senador Jader Barbalho (PMDB).

A chapa majoritária é encabeçada pelo filho de Jader, Helder Barbalho, ex-prefeito de Ananindeua, na região metropolitana de Belém. “Sou candidato a um cargo inédito na minha vida, pai de governador”, tem dito Jader. Na distribuição de espaços, o PT indica o candidato ao Senado, que será o ex-deputado federal Paulo Rocha. Ele renunciou ao mandato para evitar a cassação no escândalo do mensalão.

“Aqui no Pará a aliança está sendo construída e está bastante sólida”, afirmou Dilma, em entrevista a uma rádio paraense. As costuras para a aliança entre PT e PMDB no Pará estenderam-se por meses. Dilma recebeu Jader e o vice-presidente Michel Temer em jantar no Palácio da Alvorada. O presidente nacional do PT, Rui Falcão, entrou em campo para neutralizar a ala contrária à união e o diretório petista decidiu apoiar a aliança por 249 votos contra 100.

Mas o elemento mais pitoresco na disputa em andamento no Pará envolve a definição do candidato a vice-governador. De um lado, o PMDB, e de outro, o PSDB, articulam para atrair o DEM para a vaga.

Os dois lados flertam com o deputado Lira Maia, do DEM paraense. Se ele fechar com o PMDB, Dilma terá em seu palanque um dos partidos que faz oposição história e sistemática ao PT em Brasília.

Maia sobressaiu-se na campanha pela criação dos Estados de Tapajós e Carajás, no plebiscito que mobilizou o Pará em 2011. Ex-prefeito de Santarém – que seria a capital do Tapajós -, Maia firmou-se como liderança do movimento.

Na época, Jatene posicionou-se contra a fragmentação e perdeu votos junto àquele eleitorado. Agora, flerta com Maia na tentativa de se recompor com a população. “O plebiscito vai impactar na eleição”, aposta o deputado José Priante (PMDB), aliado de Jader.

Por: Andrea Jub
Fonte: Valor Econômico 

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