Rio Madeira não vai baixar agora e pode atingir 19,80m, alerta Sipam

Por causa do escoamento das chuvas em sua bacia, o Rio Madeira, em Porto Velho (RO), deverá manter-se em elevação e poderá alcançar o nível de 19,80 metros, de acordo com um alerta divulgado na tarde desta segunda-feira (31) pelo Centro Regional do Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam) em Rondônia.

Caso não se confirme a previsão de mais chuvas nas cabeceiras, o Madeira atingirá o maior nível de sua série – a marca histórica foi há 17 anos, com 17,52 metros – e deverá manter a cota nos próximos dias. Nesta segunda, às 12h45, em Porto Velho, o nível do Madeira atingiu 19,71 metros, mas, às 17h15, baixou para 19,68 metros.

O alerta do Sipam foi enviado às equipes de Defesa Civil do Acre e Rondônia, representadas pelo Centro Nacional de Gerenciamento de Riscos e Desastres, que recebem semanalmente dados de meteorologia captados de satélites e de hidrologia utilizando informações do Serviço Geológico do Brasil (CPRM) e da Agência Nacional de Águas (ANA).

De acordo com o Sipam, a expectativa é de redução no volume de chuvas em abril, porém, a área da bacia está saturada, mantendo o nível do Madeira elevado, principalmente nas cabeceiras dos Rios Beni, Madre de Dios, Mamoré e Guaporé.

– Em função disso, o solo não consegue absorver o volume de água. O mês de abril ainda é um mês chuvoso na porção sul da Amazônia Ocidental, sendo maio um mês de transição e só em junho é que tem início ao período de seca – assinalou o meteorologista do Sipam Marcelo Gama.

As informações de chuvas na bacia são monitoradas por pelos satélites GOES e NOAA. O Sipam dispõe de um sistema de recepção e os registros de chuva estimados pelo satélite TRMM, da Nasa, são aplicados ao modelo hidrológico de correlação múltipla de chuva vazão, para as bacias dos principais formadores do Madeira-Beni, incluindo o Rio Madre de Dios, Mamoré e Guaporé.

Para complementar as informações, são utilizados os prognósticos de precipitação gerados pelo modelo Brams do Sipam, relacionados ao comportamento das chuvas nos próximos três dias. Os dados gerados são processados no modelo hidrológico de chuva-vazão, possibilitando estimar a cota futura de inundação para um, cinco e dez dias.

Relatório da Defesa Civil de Rondônia revela que a população de seis município sofre com a cheia do Madeira, sendo a situação mais grave em Porto Velho. Existem 20 mil pessoas afetadas diretamente pela cheia histórica, que estão em abrigos improvisados pela Defessa Civil Estadual.

A realidade mais crítica é a do Acre, onde o governador declarou situação de emergência. Há 10 dias o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e a Polícia Rodoviária Federal (PRF), por medida de segurança, decidiram interromper o tráfego na BR-364 por causa da cheia do Rio Madeira.

A rodovia federal é a única via de acesso do Acre ao restante do país. Vários trechos da estrada, entre o Acre e Rondônia, estão cobertos pelas águas do Madeira, impossibilitando o tráfego de qualquer tipo de veículo. A população do Acre enfrenta problemas de abastecimento de combustível e alimentos. Aviões da FAB estão sendo usados para transportar alimentos perecíveis e medicamentos.

Na sexta-feira (28), em Rio Branco, a primeira dama Marlúcia Cândida, coordenadora do Acre Solidário, liderou um ato de agradecimento a Deus pela vazante do Rio Acre e de clamor pelas famílias atingidas pela cheia do Rio Madeira. Porém, na noite de sábado (29), o Rio Acre voltou a subir e atingiu a cota de alerta, 24 horas após o ato de agradecimento.

Segundo a Defesa Civil do Acre, o Rio Acre estava, nesta segunda, às 14h, com 13,88m, permanecendo na cota de alerta. Além disso, desde a quinta (27), a deputada Perpétua Almeida (PCdoB) e o senador Jorge Viana (PT-Ac) anunciavam em suas páginas em rede social a vazante do Rio Madeira, o que não se confirmou até agora.

Por: Altino Machado
Fonte: Terra Magazine/ Blog da Amazônia 

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