Acre cresce com investimentos na construção civil

Um dos setores que mais crescem no Acre, a construção civil recebeu o impulso do programa de habitação do governo federal. Conhecido como Cidade do Povo, o local abrigará 10.518 unidades habitacionais, praças, quadras poliesportivas, escolas e posto de saúde. A entrega será em etapas que se desdobram até outubro de 2015. O projeto recebeu R$ 1 bilhão do governo federal e R$ 200 milhões do estadual para infraestrutura.

Formado por empresas de pequeno e médio porte com faturamento entre R$ 10 e R$ 100 milhões, a construção civil gera 10 mil empregos diretos no estado. “O Acre melhora sua infraestrutura e muita coisa vai acontecer”, diz Carlos Afonso Cipriano dos Santos, presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil.

O cheia do Rio Madeira deixou prejuízo de R$ 600 milhões, segundo o governo do estado. O isolamento provocado pela interrupção da BR-364 levou à busca por alternativas do outro lado da fronteira. “Fomos ao Peru atrás de cimento”, conta o presidente do sindicato. José Luiz Felício, diretor-presidente do grupo Miragina, tradicional marca local de biscoitos, também comprou do pais vizinho a farinha necessária para que as máquinas não parassem por muito tempo em meio a uma situação atípica.

“Se por um lado houve transtorno, por outro, a situação forçou a busca de soluções que nos organizam para o futuro”, diz. A empresa tem 130 funcionários e fabrica 15 toneladas de biscoito por dia. Superado o susto, a Miragina acelerou a produção com turnos extras. Em breve, com a chegada dos novos equipamentos encomendados de um fabricante de São Paulo, duplicará a produção. Recentemente instalou uma usina de beneficiamento de castanha para a produção de castanha fatiada com sal, óleo extra virgem e biscoitos especiais. “O estado vive um momento interessante. Em breve todos vão ouvir falar mais do Acre”, diz Felício, que também é vice-presidente da Federação das Indústrias do Acre, FIEAC.

A participação do Estado no PIB nacional estabilizou em 0,2%, segundo o IBGE. O governador Tião Viana diz que o crescimento do estado depende de um modelo sustentável que englobe participação comunitária, uso de tecnologia e formação de cadeias produtivas. Na suinocultura, a inspiração vem da produção integrada do sul do Brasil. Na piscicultura a meta é agregar valor. Frigoríficos são convidados a diversificar a produção e a investir na piscicultura.

A Cooperativa Central de Comercialização Extrativista do Acre, Cooperacre, sente a resistência de defensores de outro modelo para o extrativismo, mas amplia sua atuação. Criada para comercializar produtos locais, atua na modalidade compra antecipada com formação de estoques. A estrutura engloba 2 mil famílias de produtores envolvidos na coleta, conta com 250 funcionários e recebe apoio municipal, estadual e federal.

Por: Helô Reinert
Fonte: Valor Econômico

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