Amapá aposta em corredor logístico para escoar soja

Com uma posição geográfica estratégica, o Amapá tem recebido nos últimos anos uma série de investimentos públicos e privados, o que tem propiciado aumentos do PIB acima da média nacional. Os dados mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), relativos a 2011, revelam que o PIB local alcançou R$ 8,9 bilhões, alta de 4,9% em relação ao ano anterior.

Dois grandes projetos mobilizam a atenção das autoridades e do empresariado. O principal é a breve inauguração (prevista para o segundo semestre) da ponte Binacional ligando o Amapá à Guiana Francesa. A obra, que custou, R$ 61,32 milhões, está concluída desde 2011, mas não foi inaugurada devido à falta dos postos de aduana e o asfaltamento do trecho de 1,3 km entre o município de Oiapoque e o pátio. Do lado francês, as obras já estão concluídas. A demora nas obras do lado brasileiro se deram em função de problemas burocráticos durante o processo licitatório.

Segundo o governador Camilo Capiberibe (PSB), o governo estadual destinou R$ 4 milhões para as obras de pavimentação e o montante relativo aos postos aduaneiros, no total de R$ 13,6 milhões, ficou a cargo do governo federal. Até a inauguração, diz Capiberibe, o trecho de 595 km entre Macapá e Oiapoque estará totalmente asfaltado. “Vamos asfaltar também os 240 km do trecho Sul, que liga Macapá até Laranjal do Jari, na divisa com o Pará”, garante.

Segundo Capiberibe, o governo estadual investiu R$ 500 milhões na pavimentação de 110 km de rodovias. Com uma rede rodoviária mais estruturada, o governo estadual pretende formar um corredor logístico a rumo ao Porto de Santana (próximo a Macapá), que serviria para o escoamento da soja vinda de Mato Grosso e do Pará. As obras de construção dos silos de armazenagem estão ainda em fase inicial. A vantagem logística seria permitir uma saída mais econômica para destinos como África, Europa e oeste dos Estados Unidos, atravessando o Canal do Panamá. “O custo do frete sairá 30% mais barato”, afirma Capiberibe.

Além do transporte de grãos, a região costeira do Estado pode vir a se tornar uma base para futuras explorações de petróleo. Segundo Capiberibe, já foram identificadas reservas no litoral da Guiana Francesa e há possibilidade de haver outras na costa amapaense. O governo estadual pretende aproveitar os incentivos fiscais oferecidos por ser uma Área de Livre Comércio e fazer uma ligação rodoviária entre o porto e o aeroporto de Macapá.

Com 730 mil habitantes (400 mil deles em Macapá), o Amapá é carente em serviços e telecomunicações. Os primeiros cabos de fibra ótica chegaram ao Estado em março, passando pela ponte Binacional, em uma parceria da Oi com uma tele da Guiana Francesa. Na capital, em parceria com o governo federal, estão sendo construídas 4.366 habitações dentro do projeto Minha Casa, Minha Vida.

Por: Guilherme Meirelles
Fonte: Valor Econômico 

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