Banco da Amazônia tem R$ 8,8 bilhões para o Norte do país

A concessão de recursos federais por meio de financiamentos tem tido um papel importante no desenvolvimento dos Estados da Amazônia Legal, com duas instituições atuando na linha de frente: o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), voltado principalmente para megaprojetos privados de infraestrutura, e o Banco da Amazônia S/A (Basa), também presente em empreendimentos de médio e grande porte, mas com 51% do orçamento direcionado a mini e pequenos projetos.

Nos últimos três anos, o BNDES aprovou a liberação de R$ 51,9 bilhões para os sete Estados da Região Norte, participando de obras de energia, mineração e logística, por exemplo. O Banco da Amazônia, de controle federal, dispõe de muito menos recursos, mas é a única instituição, incluindo os bancos privados que atuam no Norte, com um foco específico no desenvolvimento regional.

“Financiamos projetos em toda a cadeia produtiva, do setor primário à tecnologia de ponta, assumindo iniciativas de maior risco, que, em uma análise pura de crédito, podem não ser aprovadas”, afirma o presidente do Basa, Valmir Pedro Rossi.

Neste ano, o Basa, responsável por 60,8% do volume de crédito de longo prazo fornecido pelos bancos no Norte do país, deverá liberar R$ 8,8 bilhões em financiamentos, volume 35,3% maior que o de 2013.

São ao todo mais de mil propostas em análise, com demandas dos mais variados setores, envolvendo empreendimentos de pequeno a grande porte. Em sua carteira de clientes, o banco destaca a presença na área de agricultura familiar, que deverá receber R$ 700 milhões neste ano, e nos segmentos de micro e pequena empresa e de empreendedor individual, para os quais serão destinados R$ 730 milhões em 2014.

A principal fonte dos recursos é o Fundo Constitucional de Financiamento do Norte (FNO), com R$ 5,4 bilhões no orçamento de 2014, provenientes do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). Com prazos de até 20 anos, o FNO tem juros que variam de 5,30% a 12,36%, dependendo do porte da empresa tomadora de crédito, e é destinado a todos os setores. A instituição também é gestora de recursos do Fundo de Desenvolvimento da Amazônia (FDA), com R$ 500 milhões previstos para este ano; do BNDES, um volume de R$ 350 milhões; e do Fundo da Marinha Mercante, com R$ 350 milhões, além de gerir R$ 552 milhões em recursos próprios, entre outras modalidades com volumes menores.

Do orçamento total, R$ 1,6 bilhão ficam com a carteira comercial do banco. “Só faz sentido o governo pegar recursos do orçamento da União e repassá-los a taxas menores que as de mercado se isso trouxer benefícios para a sociedade.”

Segundo Rossi, para se ter uma ideia desses benefícios, com a concessão de R$ 4,7 bilhões do FNO, volume liberado em 2013, o impacto esperado na economia é de R$ 15,8 bilhões sobre o Produto Interno Bruto (PIB), de R$ 4,8 bilhões em tributos, de R$ 30,9 bilhões em Valor Bruto de Produção e de R$ 3,2 bilhões em salários, além de manutenção e criação de 725 mil postos de trabalho.

Rossi conta que a instituição, em parceria com governos estaduais, prefeituras, Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam) e Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), desenvolve o programa FNO Itinerante, em que técnicos percorrem municípios para conhecer as necessidades e descobrir oportunidades de investimentos, principalmente nos locais de menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH).

“Em maio do ano passado, atingimos a marca de 100% dos municípios com alguma operação de crédito”, afirma. “A fábrica de motocicletas da Zona Franca de Manaus é financiada pelo banco? Não. Mas quem produz o pneu para seus veículos é. A indústria de refrigerante é uma grande compradora de guaraná? Nós financiamos os produtores. Assim como podemos financiar hospitais, lojas ou shoppings em áreas urbanas que necessitam. São exemplos do trabalho que o banco tem desenvolvido”, afirma Rossi.

Por Maria Alice Rosa
Fonte: Valor Econômico 

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