Falta de chuvas prejudica safrinha de milho em MT

Depois do excesso de chuvas que tumultuou o plantio da segunda safra de milho em Mato Grosso, agora é a seca que tem tirado o sono de boa parte dos agricultores. É normal que as precipitações no Estado cessem em abril, mas havia entre os produtores a esperança de que elas se estendessem um pouco – como no ano passado -, e ajudassem a garantir melhores rendimentos principalmente às lavouras semeadas mais tardiamente, o que não aconteceu.

As fortes chuvas que ocorreram entre o fim de fevereiro e o início de março atrasaram a colheita de soja e empurraram ao menos 25% do plantio de milho safrinha para fora do período ideal, calcula o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea). Com isso, a maioria das lavouras do grão ainda está na fase entre o pendoamento e a maturação, período em que a cultura mais precisa de água.

Conforme Marco Antonio dos Santos, meteorologista da Somar, se toda a safra de Mato Grosso fosse semeada na janela ideal (até 5 de março), chuvas até 20 de abril seriam suficientes para o milho. “O problema foi a semeadura tardia, que levou muitas lavouras a precisarem de mais chuvas em maio para que o ciclo da planta se complete”. Todo o Estado sofreu em maior ou menor grau com o déficit hídrico, destaca Santos, mas há situações diferentes dentro de cada região. “Em Tapurah, [centro de Mato Grosso], há áreas com 10 dias sem chuvas, outras com 30”, conta.

Leonildo Bares, presidente do sindicato rural de Sinop, no “nortão” mato-grossense, diz que não chove na região desde 15 de abril. “Isso é normal para Mato Grosso, mas no ano passado choveu até o começo de maio”, afirma. Essa umidade contribuiu para o alto rendimento na safrinha passada, que ficou entre 90 e 100 sacas por hectare. “Esse ano, se ficarmos com uma média de 60 sacas é muito”, prevê.

A expectativa do Imea é que o rendimento médio do milho em Mato Grosso alcance 85,4 sacas por hectare este ano, 16% abaixo da safrinha de 2013. Já se esperava uma produção menor devido à queda de 20% na área plantada, em função dos preços pouco atrativos do milho entre o fim do ano passado e início de 2014, mas as incertezas com o clima fizeram minguar ainda mais essas previsões.

Até o fim de fevereiro, o Imea projetava uma colheita de 17 milhões de toneladas, mas a estimativa já caiu para 15,2 milhões, 32% aquém do recorde de 22,53 milhões de toneladas de 2013.

Segundo Bares, do sindicato de Sinop, os produtores enfrentaram ainda problemas com os ataques da lagarta do cartucho. “Teve gente que usou milho transgênico resistente à lagarta, fez quatro ou cinco aplicações de defensivos, mas a tecnologia não conseguiu segurá-la”, afirma.

Em Primavera do Leste, sudeste de Mato Grosso, a situação é menos tensa, segundo Jair Guariento, presidente do sindicato rural local. As chuvas se estenderam até o fim de abril e a expectativa é que a produtividade fique entre 110 e 130 sacas, ante as 120 do ano passado.

Apesar das possíveis perdas, os preços do milho estão mais altos que há um ano, o que ajuda a garantir a rentabilidade dos agricultores. Conforme Guariento, a saca em Primavera do Leste está em R$ 23, ante R$ 18 no mesmo período de 2013.

Previsões da Somar indicam novas chuvas para maio em Mato Grosso, mas esparsas. “Seria preciso chover no mínimo de 40 a 50 milímetros este mês para manter as lavouras ‘cheias’, mas não sabemos se choverá tudo isso, nem se em todas as regiões do Estado”, concluiu Santos.

Por: Mariana Caetano
Fonte: Valor Econômico 

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