Fiscalização e controle têm impacto no desmatamento

Nos últimos dez anos, o desmatamento da Amazônia caiu 79%, atingindo 5,8 mil km² entre 2013 e 2014, área superior à da Região Metropolitana do Rio de Janeiro, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). No mesmo período, a produção madeireira na região, principal ativo da floresta, caiu 50%. Passou de 24 milhões de metros cúbicos de toras para algo em torno de 12 milhões de metros cúbicos – metade ainda hoje de origem ilegal e predatória, destinada ao mercado interno, na estimativa do Serviço Florestal Brasileiro (SFB).

“O problema mudou de escala devido à fiscalização, ao maior controle e às ações policiais, mas há o desafio de combater a produção ilegal, que tem menor custo e desfavorece quem opera com critério ambiental”, diz Francisco Oliveira, diretor do departamento de políticas de combate ao desmatamento da Amazônia, do Ministério do Meio Ambiente (MMA).

Os números comprovam a relação direta entre derrubada de floresta e produção de madeira nativa. Mas as causas do desmatamento são mais amplas. De acordo com o último levantamento sobre os fatores associados à destruição da Amazônia, realizado em 2010 pelo INPE, a pecuária é a vilã: 66% das áreas desmatadas foram ocupadas por pastagens, com prévia retirada da madeira nobre. Para Oliveira, os dados mais recentes não devem mostrar nada diferente.

As principais frentes de desmatamento estão no Pará, associadas à grilagem na região da BR-163. A rodovia está sendo pavimentada e atrai posseiros que exploram madeira e depois plantam pastagem para ocupar a área e obter mais facilmente o título da terra. A Amazônia perdeu até hoje 18,2% da cobertura original. Mas parte dela está se recompondo. De acordo com as imagens de satélite, 20% da atual área sem floresta está em recuperação natural.

A redução do desmatamento é confirmada pelo sistema de dados atualizado a cada mês pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon). O último boletim, de março, aponta queda de 75% em relação a igual período de 2013. No ano passado, houve um pico na taxa: alta de 28%, em relação a 2012. Os motivos: especulação fundiária e efeitos das obras de infraestrutura. “Após o alerta, a fiscalização aumentou e os números baixaram”, diz Antonio Victor, responsável pelo Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD).

“Mas o cenário não é nada animador quando se vê o impacto da produção madeireira sem critérios ambientais”, adverte Denis Conrado, do Imazon. No Mato Grosso, a produção de baixa qualidade, gerando degradação, aumentou 1/3 entre 2011 e 2012. No mesmo período, no Pará, dobrou a floresta explorada sem autorização. A madeira ilegal, extraída a baixo custo de locais proibidos, é “esquentada” pelo volume de produção autorizado para planos de manejo em outras áreas.

Por: Sergio Adeodato
Fonte: Valor Econômico 

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