Manaus vai colocar estádio à venda depois da Copa

O prefeito de Manaus, Arthur Virgílio (PSDB) Neto, encontrou-se ontem com o presidente da Fifa, Joseph Blatter, em Zurique, e logo em seguida informou que seu projeto pós-Copa inclui colocar à venda a Arena da Amazônia, o estádio da capital amazonense.

O estádio teria custado cerca de R$ 670 milhões, bem acima do previsto. O prefeito disse não saber exatamente o valor final, mas considera que a venda parece ser uma necessidade para evitar que o estádio se transforme num elefante branco sem verba pública para mantê-lo. “Só o setor privado pode pegar um limão amargo e transformá-lo numa limonada que pode ser adoçada.” Para ele, a opção do setor público é clara: “Não vendendo, o Estado incorpora o prejuízo e vendendo vai sair a verdade sobre o custo. Vale ou não vale (os R$ 670 milhões?)”.

O prefeito disse que não discutiu com o presidente da Fifa sobre a venda do estádio. Relatou a Blatter que o estádio está 100% pronto para acolher os quatro jogos da Copa. Segundo Virgílio, Blatter fez elogios ao estádio e à iniciativa da prefeitura de dar “Bolsa Idioma” para quem trabalha no turismo.

Virgílio confessa que nunca foi a favor da construção da Arena da Amazônia e que teria preferido a renovação do antigo estádio. Mas que agora, com a Arena construída, o legado pós-Copa será mesmo para a área de entretenimento, como shows, já que a Amazônia tem um futebol ainda modesto. No complexo do estádio será construído um Centro de Convenções, o que poderia atrair eventualmente investidores.

O secretário-geral da Fifa, Jerôme Valcke, disse na terça-feira que a escolha de Manaus como uma das sedes da Copa foi decisão do governo brasileiro porque de fato não há futebol na região.

Virgílio disse que sua proposta de privatização é vista “com bons olhos” pelo governador José Melo (PROS). A conversa concentrou-se mais no legado turístico do evento na capital amazonense. O prefeito acha que a cidade acolherá pelo menos 80 mil turistas estrangeiros durante os jogos e atrairá a atenção de mais de 1 bilhão de pessoas que verão os jogos pela televisão.

O prefeito visivelmente não entende até hoje como gastou-se tanto dinheiro em estádios, lembrando que os Estados Unidos adaptaram estádios de basebol para sua Copa, por exemplo. Ele anunciou que logo que retornar a Manaus vai reunir os gerentes de hotéis para adverti-los a não ter a “mentalidade de Noé”, tentando lucrar muito de uma só vez.

Por: Assis Moreira
Fonte: Valor Econômico 

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