Minério é fonte para projetos milionários

A Amazônia é rica em minérios. Ferro, ouro, cobre, bauxita, entre outros, são encontrados na região, fazendo empresas nacionais e estrangeiras tocarem projetos milionários – às vezes bilionários – por lá. Um exemplo é a expansão da produção de ferro em Carajás, da Vale. O S11D é um empreendimento avaliado em US$ 19,67 bilhões, dos quais US$ 8,09 bilhões vão para a mina e a usina e US$ 11,58 bilhões para a logística, com a expansão da capacidade da Estrada de Ferro Carajás e do terminal marítimo de Ponta da Madeira, no Maranhão.

Em abril, o BNDES aprovou um financiamento de R$ 6,2 bilhões para o projeto, que deve iniciar operações em 2016. Quando estiver operando a plena carga, o S11D terá capacidade para 90 milhões de toneladas anuais de minério de ferro. Com isso, a produção da Vale em Carajás saltará para 230 milhões de toneladas, o que deve ocorrer em 2018. Em 2013, a Vale produziu em Carajás cerca de 105 milhões de toneladas.

Dados do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) mostram que o setor mineral brasileiro vai receber, entre 2014 e 2018, US$ 53,6 bilhões em investimentos. Deste volume, cerca de US$ 15,9 bilhões irão para os Estados da Amazônia Legal. O Pará fica com mais de US$ 11 bilhões e o restante vai para Amazonas, Maranhão, Tocantins, Amapá e Mato Grosso.

“A atividade mineral é complexa e de altíssimo risco”, diz o diretor de Assuntos Ambientais do Ibram, Rinaldo Mancin. Segundo ele, um em cada dez mil pesquisas tem chance de sucesso e, na Amazônia, ainda existem vastas áreas sem mapeamento geológico. Além disso, observa ele, o contexto ambiental delicado e a carência de infraestrutura encarecem os projetos.

Para o secretário de Geologia, Mineração e Transformação Mineral do Ministério das Minas e Energia, Carlos Nogueira da Costa Júnior, o potencial da região é inegável, mas o fato de a Amazônia possuir unidades de conservação e terras indígenas restringe as áreas de mineração – caso mais específico do Amapá e de Roraima, cujas áreas estão quase que totalmente dentro destas condições.

Costa Júnior listou 17 projetos de empresas nacionais e estrangeiras em curso na região amazônica, a grande maioria no Pará – já incluindo a expansão de Carajás, pela Vale – e envolvendo ferro, bauxita, ouro, níquel, cobre, fosfato e potássio. Os outros, distribuídos por Amapá, Amazonas, Roraima, Rondônia e Mato Grosso, extraem calcário, ouro, prata, potássio, tântalo e nióbio.

Na avaliação do diretor da Agência Para o Desenvolvimento Tecnológico da Indústria Mineral Brasileira (Adimb), Onildo Marini, o novo marco regulatório da mineração, que está para ser votado no Congresso Nacional, atrapalha projetos não só por elevar taxações, mas pelo maior controle do governo sobre o setor. “Esse ambiente está dificultando a obtenção de financiamentos para a mineração no país”, observa.

Uma das empresas que esperam recursos é canadense Rio Novo, que pretende tocar adiante seu Projeto Almas, de produção de ouro, no Tocantins. “Quando tivermos o financiamento, o projeto levará mais um ano para iniciar”, observa o CEO da empresa, Patrick Panero. O investimento é calculado em US$ 150 milhões, para a produção de cerca de 700 mil onças de ouro em um período de treze anos.

No Mato Grosso, a Rio Novo tem o projeto Matupá, também de ouro, que ainda está em fase de exploração. Atualmente há em torno de 400 mil onças mapeadas e, para Panero, ainda é cedo para dizer como se desenvolveria o projeto, que também deve exigir algo entre US$ 150 e 200 milhões.

Já a australiana Beadell Resources reiniciou atividades no Projeto Tucano, no Amapá, em meados de 2011. Investiu US$ 100 milhões em estruturas de produção de ouro, que começou, de forma comercial, em abril do ano passado. De lá até março de 2014, foram produzidas 184,6 mil onças. Segundo seu CEO, Peter Bowler, o projeto conta também com depósitos significativos de minério de ferro. Isso motivou outros US$ 12 milhões aplicados em uma unidade de concentração magnética para extrair o material de alto teor da unidade de ouro.

Por: Simone Goldberg
Fonte: Valor Econômico 

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