O jovem Tocantins revela vocação para agronegócio

Mais jovem entre os 26 Estados brasileiros, o Tocantins já não é mais apenas um celeiro de promessas. O Estado exibe hoje uma agricultura irrigada de fazer inveja a regiões tradicionais do Centro-Oeste e Sul. E compete com produtores respeitados graças à alta qualidade de sua cana de açúcar e sua safra de soja, ganhando espaço na seara do agronegócio. Sua posição geográfica garante à região privilégios logísticos que nenhuma outra tem. Localizado no centro geográfico do país, Tocantins tem como vizinhos as regiões Nordeste e Centro-Oeste e é um dos nove Estados da região amazônica.

Cortejado por investir na irrigação e ter fartura no campo, Tocantins que ir muito além da cana de açúcar e da soja. O governo estadual, por intermédio da Secretaria da Agricultura e Pecuária (Seagro), quer ampliar a irrigação e implantar novos projetos revitalizando outras partes do Estado. Os recursos estão sendo alocados junto a órgãos federais e internacionais. A secretaria, através do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC II), já conseguiu R$ 100 milhões para elaboração de estudos e realização da primeira fase das obras de revitalização do projeto rio Formoso, em Formoso do Araguaia.

Os mais de 4 milhões de hectares disponíveis para irrigação abrigam seis projetos hidroagrícolas: o de São João, Manuel Alves, Sampaio, Formoso, Gurita, além do Programa de Desenvolvimento do Sudoeste do Tocantins (Prodoeste). O investimento injetado na região, nos últimos 13 anos, ultrapassa os R$ 750 milhões, dos quais 90% bancados pelo governo federal e 10% provenientes do Estado.

A colheita está sendo generosa. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Tocantins produziu, em 2013, ao redor de 175 mil toneladas de frutas. No início da década de 90, foram 40 mil toneladas. O PIB, que no ano passado atingiu R$ 21,739 bilhões, deve fechar 2014 na casa dos R$ 25,718 bilhões. Em 2017, segundo Joaquim Junior, secretário do Planejamento de Tocantins, alcançará R$ 30,245 bilhões.

“Tocantins tem grande vocação para o agronegócio, principalmente devido à logística. Empresários de outras regiões e de outros países já estão percebendo este diferencial”, afirma o governador Sandoval Cardoso (PSD). Segundo ele, a infraestrutura, um dos pontos sensíveis do Estado, já não é mais entrave para atrair investimentos. De acordo com a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação hoje são quase sete mil quilômetros de rodovias asfaltadas, além de uma rede de energia elétrica consolidada. “Temos plenas condições de atrair mais empresas e oferecer estrutura”, diz Cardoso.

Na avaliação do governador, a construção da Ferrovia Norte-Sul, do Ecoporto de Praia Norte e do terminal de cargas no aeroporto de Palmas coloca Tocantins em uma posição privilegiada no setor de logística. A estimativa é que até o final do ano, o Estado contará com oito distritos industriais estruturados. De quebra, desde o dia 13 de maio deste ano, a Valec deu o sinal verde para a Ferrovia Norte-Sul começar a receber pedidos de empresas de transportes para usar a malha entre Palmas (TO) e Anápolis (GO). Desde 2008, a ferrovia já opera no trecho Tocantins e Maranhão. O novo trajeto permitirá a integração com ferrovias já existentes no país, graças ao ramal que chega a Anápolis e, de lá, segue para outros Estados das regiões Centro-Oeste e Sudeste.

Construção civil e produção de alimentos estão entre os principais ramos que alavancam a economia do Estado. Roberto Pires, presidente da Federação das Indústrias do Estado do Tocantins (Fieto), conta que essas atividades respondem por um quarto da massa salarial paga pela indústria tocantinense. “Nosso parque industrial é formado por cerca de 3.850 unidades fabris. O crescimento no ano passado foi de 10% em comparação a 2012. Isto nos leva a crer que as atividades associadas à agroindústria ou, em termos mais abrangentes, ao agronegócio, representam mais que uma tendência, senão uma vocação econômica do Tocantins”, afirma.

Por: Rosangela Capozoli
Fonte: Valor Econômico 

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