O Mundial do tapume

Faltando um mês para a Copa, Cuiabá encara a realidade: a cidade prometida ficou pelo caminho; resta agora o futuro

Hoje se completam 1.806 dias desde que o suíço Joseph Blatter, presidente da FIFA, anunciou a lista das doze cidades sedes da Copa do Mundo no Brasil.

Há quatro anos, onze meses e onze dias, uma multidão reunida na Praça Oito de Abril explodiu em festa ao ter a certeza de que Cuiabá estava entre elas.

O tempo, que à ocasião já parecia demasiado curto ante as muitas promessas feitas durante a candidatura, está esgotado.

A um mês da partida inaugural entre as seleções de Chile e Austrália, não resta mais espaço para previsões, estimativas ou revisões de cronograma.

A realidade da Copa em Cuiabá (e também em Várzea Grande) incluirá tapumes, desvios e canteiros de obra nas principais avenidas. Mas não só.

No campo da segurança pública, a prometida reestruturação não saiu do papel. Nenhuma obra foi levada adiante e o efetivo da Polícia Militar se manteve.

A estrutura na área da saúde será praticamente a mesma que havia em 2009. As alterações, pontuais, não irão tirar o protagonismo do deficitário Pronto Socorro Municipal.

Em termos de atrações para os visitantes, o cenário do Centro Histórico de Cuiabá é um indicativo seguro do que poderia ter sido, e não foi.

Os milhões em investimentos “garantidos” em Brasília para as principais atrações turísticas (Chapada e Pantanal) não conseguiram se converter sequer em ações básicas, como a sinalização.

Da Miguel Sutil à Fernando Corrêa, da FEB à Avenida do CPA, nenhum dos investimentos previstos em mobilidade urbana estará plenamente concluído.

O objetivo, neste momento, é a assegurar a “trafegabilidade” nas principais rotas de acesso à Arena Pantanal, como admite o secretário Maurício Guimarães (Secopa) (ver entrevista na página B6 deste Caderno).

Sem alternativa, restou ao governo o pós-Copa. Em vez do próximo 13 de junho, o dia D foi remarcado para 31 de dezembro deste ano. Até lá, diz a nova promessa, todas as obras, incluindo as do VLT, estarão concluídas.

Restam, portanto, 235 dias para o sonho se tornar, enfim, realidade. Amanhã, serão 234.

Por: Rodrigo Vargars
Fonte: Diário de Cuiabá 

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