Organização Mundial de Saúde Animal declara o Pará 100% livre da aftosa

O Estado do Pará recebeu nesta quinta-feira (29) o reconhecimento oficial de área 100% livre da febre aftosa, durante a programação da 82ª Assembleia Geral da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE), na cidade-sede do órgão, em Paris, na França. A entrega ocorreu em conjunto com outros Estados brasileiros que também alcançaram a certificação, como Alagoas, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí e Rio Grande do Norte.

Ainda na segunda-feira (26), em encontro na Embaixada do Brasil na França, o governador Simão Jatene, o ministro da Agricultura, Neri Geller, e a comitiva paraense receberam das mãos do diretor geral da OIE, Bernard Vallat, o certificado com o reconhecimento da organização, que congrega 178 países. Para Vallat, que ocupa o cargo na OIE desde 2001, foi visível o esforço do Brasil e do Pará no combate à febre aftosa.

“O Brasil sempre foi um parceiro, e desde o início do nosso trabalho na OIE, tenho declarado apoio e reconhecimento à progressiva evolução do Pará na luta contra a febre aftosa e a busca por novos mercados. Estive no Pará em outras ocasiões e atestei a seriedade com que o trabalho é feito pelo governo e empreendedores, que culminou agora com a conquista do certificado”, assegurou Bernard Vallat.

O diretor da organização também ressaltou que o trabalho desenvolvido pelo Pará é mais um passo no próximo objetivo brasileiro, que é ter todo o país reconhecido como área 100% livre da febre aftosa. “Pessoalmente fico muito satisfeito em estar vivendo este momento da entrega do certificado ao Pará, um Estado onde fui muito bem recebido e onde pude ver de perto o profissionalismo das ações desenvolvidas, e que recebe o aval de 178 países que compõem a OIE. Esperamos que este seja mais um passo para consolidar todo o território brasileiro como área livre da aftosa”, destacou Vallat.

Parcerias

O governador Simão Jatene agradeceu pelo reconhecimento e reafirmou o compromisso em manter o rebanho do Estado livre da febre aftosa. “Era um grande desafio conquistar este certificado, que certamente abre grandes oportunidades para o Estado, com a conquista de novos mercados. Agora, o desafio imposto é manter o Pará como área 100% livre da febre aftosa. Neste sentido estamos empenhados em colaborar com Estados vizinhos para que também conquistem o certificado, trazendo benefício e mais segurança alimentar para toda a região”, enfatizou o governador.

Simão Jatene ainda destacou o empenho do empresariado e dos órgãos do governo na busca pelo certificado. “Este foi um trabalho conjunto que certamente não teria êxito se não contasse com o apoio integral de diferentes esferas, como o governo e os produtores. A pecuária é uma atividade importante para a economia paraense e vem se destacando nas ações que promovem o melhor uso das nossas terras, trabalhando com o conceito de sustentabilidade, algo imprescindível no mundo atual”, completou o governador do Pará.

O ministro Agricultura e Pecuária, Neri Geller, que representou a presidente Dilma Rousseff no encontro, ressaltou a conquista paraense e disse que o país vai reforçar o trabalho de combate à febre aftosa especialmente nas regiões de fronteira. “A comitiva paraense aqui representa bem o nosso país. É motivo de muita satisfação para nós, como brasileiros, ver um esforço reconhecido num setor de importância ímpar para o Brasil, que tem aspectos envolvidos na esfera social, econômica e de segurança da alimentação. O Brasil conta com esta colaboração mútua entre os Estados e irá trabalhar também para ajudar países vizinhos a buscar a certificação que hoje celebramos aqui”, declarou Geller.

O Brasil possui agora 23 estados e o Distrito Federal reconhecidos internacionalmente como livres de febre aftosa. O próximo passo é alcançar a meta de um país totalmente livre da doença. Para isso o Ministério da Agricultura faz um trabalho conjunto com os governos estaduais e iniciativa privada para que Amapá, Roraima e Amazonas também sejam reconhecidos.

Certificação abrirá mercados no país e no exterior

Entre outras autoridades da comitiva paraense também esteve o secretário de Estado de Agricultura, Andrei Gustavo Castro, o diretor geral da Agência de Defesa Agropecuária (Adepará), Sálvio Freire, o presidente da União Nacional da Indústria da Carne (Uniec), Francisco Victer, o ex-diretor da Adepará Mário Moreira e o presidente da Associação Brasileira dos Exportadores de Carne, Gil Reis, entre outros. Para Sálvio Freire, a certificação abrirá as portas do mercado para o comércio nacional e internacional do rebanho paraense e seus produtos e subprodutos, assim como aumentará a capacidade em favor do agronegócio das plantas frigoríficas das regiões II e III e Marajó.

Atualmente, segundo o diretor, a capacidade de abate dessas plantas frigoríficas é superior a quatro milhões de cabeças. Sálvio lembrou que o reconhecimento internacional trará muitos benefícios para o setor. Além da abertura do mercado exportador da carne, frigoríficos localizados em municípios que integram as áreas II e III, a exemplo de Castanhal, Mãe do Rio, Jacundá, Breu Branco, Santarém e outros, deixam de ter restrições sanitárias.

O trânsito do boi em pé também terá redução de restrições, a exemplo do término do período quarentenário por ocasião do transporte do gado de uma região sanitária para outra até a chegada aos portos do Pará. Outro item que será beneficiado é o trânsito do gado paraense para outros estados brasileiros que já possuem a certificação de livre de febre aftosa, a exemplo de Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás e Tocantins.

Empenho – Para o secretário municipal de agricultura de Capanema e presidente do Sindicato Paraense da Pecuária de Corte, Nelson de Araújo, a conquista da certificação é motivo de orgulho e satisfação para produtores e toda sociedade. “É um reconhecimento ao produtor rural paraense, através da Faepa (Federação da Agricultura e Pecuária do Pará), uma vez que o empenho em atender as normas sanitárias contribuiu para o resultado da auditoria feita pela OIE e pelo Ministério. O trabalho desenvolvido pela Adepará e a presença constante do governador nos momentos decisivos elevaram o conceito que o nosso Estado conquistou junto à Organização Mundial da Saúde Animal. O êxito desta conquista trará para o nosso Estado e para seus produtores resultados que há muito tempo estamos buscando. Nossa tarefa maior agora é que o Governo e os produtores façam o dever de casa, que é manter as conquistas”, disse Nelson de Araújo.

A Organização Mundial de Saúde Animal foi criada em 1924 para combater as enfermidades dos animais em nível mundial e atualmente conta com 178 países membros, dispõe de escritórios regionais em todos os continentes e mantém relações permanentes com 45 organizações internacionais. Um dos principais objetivos da Organização é garantir a transparência da situação sanitária no mundo, assim como a garantia da segurança sanitária no comércio mundial de animais e seus produtos, particularmente dos alimentos. As regras internacionais elaboradas pela OIE protegem os países contra enfermidades e são cumpridas pela Organização Mundial do Comércio (OMC).

Pará se consolida como o quarto do país em exportação de carne

A busca pela mudança de status sanitário passou por investimentos de diferentes esferas de governo e dos setores produtivos em torno das ações de defesa agropecuária. Juntos, produtores e técnicos da defesa agropecuária cumpriram as etapas exigidas pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Dessa forma, os municípios que integram as áreas II e III, Baixo Amazonas e Marajó tiveram suas propriedades reconhecidas como livre de febre aftosa.

Até pouco tempo, a realidade era outra. Em agosto de 2013, após esforço dos governos, veio o reconhecimento nacional por meio do Ministério da Agricultura. A certificação nacional credenciou os demais municípios paraenses que integram as regiões nordeste, Baixo Amazonas e Marajó a buscar o reconhecimento internacional. Até então, apenas os 44 municípios do sul e sudeste que fazem parte da área I já tinham o reconhecimento nacional e internacional como livres de febre aftosa, portanto, somente propriedades rurais desses municípios poderiam comercializar nacionalmente e exportar o gado para regiões que já possuem a certificação. O certificado internacional significa um avanço para a pecuária paraense, uma vez que o Pará detém o quinto maior rebanho do país e ocupa a quarta posição em produção e exportação de carne.

O reconhecimento, segundo a Agência de Defesa Agropecuária do Pará (Adepará), é consequência do resultado do trabalho executado pela agência, que buscou a mudança sanitária com o cumprimento de mais de 38 itens de exigências, entre os quais, a realização de inquéritos sorológicos; serviço veterinário de qualidade; vacinação com níveis de participação superior a 98%; implantação da Guia de Trânsito Animal (GTA) eletrônica e online; implantação do Plano de Carreira, Cargos e Remuneração (PCCR ) da Adepará e demais melhorias na logística de trabalho e investimentos nas ações de defesa da saúde animal.

Oportunidades

Segundo o presidente da União Nacional dos Exportadores de Carne (Uniec), Francisco Victer, o reconhecimento internacional de livre de febre aftosa em todo Estado – não somente da região sul, que já era livre – vai tornar o Pará uma referência como um Estado fornecedor de produtos com qualidade. Victer ressaltou que essa certificação fortalecerá o mercado brasileiro, que já tem referência como país importador e exportador de carne para o mundo. “Vamos ter mais oportunidades de negócios e mais clientes para o mercado paraense, que passará a ter uma carne mais valorizada e a matéria prima, que é o boi, mais credenciada”, disse.

Os dados da Adepará de 2013 confirmam que o efetivo bovino do Estado, que reúne as áreas I, II, e III e mais a Ilha do Marajó, já superou os 21 milhões de cabeças. Os 44 municípios que integram a área 1, por exemplo, somam juntos um efetivo bovino de 16.049.068 de cabeças. Em relação a maio de 2013, o plantel cresceu aproximadamente 3% na região. Entre os municípios com potencial para pecuária que mais se destacam com relação ao quantitativo do bovino estão São Félix do Xingu, Marabá, Novo Repartimento e Santana do Araguaia.

O reconhecimento internacional abre mercado à economia paraense, pois a carne é o segundo produto na composição do Produto Interno Bruto (PIB), e a maioria dos municípios paraenses tem a pecuária como principal atividade. A partir da certificação, mais de seis milhões de cabeças do Pará, localizadas em propriedades das regiões que estão recebendo a certificação internacional, estarão credenciadas a ganhar mercado e credenciar ainda mais a pecuária paraense. (Com informações da Assessoria de Comunicação da Adepará)

Por: Daniel Nardin
Fonte: Agência Pará 

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