Tesouro natural conhecido por poucos

Numa área de 5 milhões de quilômetros quadrados, maior do que a soma dos 28 países da Europa, a Amazônia Legal reúne metade das florestas tropicais do mundo, a maior bacia hidrográfica do planeta e o maior banco genético de espécies vegetais e animais. É um tesouro natural inigualável, que o mundo e o resto do Brasil ainda conhece pouco, embora a estrutura turística da região tenha evoluído bastante a partir dos anos 1990.

Hoje o visitante não fica mais à mercê de prestadores de serviço amadores, nem corre o mesmo risco de pegar malária ou ficar isolado numa cheia. Ao contrário, pode explorar a floresta tropical com a ajuda de guias bilíngues e o conforto de suítes com ar-condicionado – ainda que algumas delas estejam penduradas em árvores, como a casa do Tarzan. Os hotéis de selva que oferecem esse pacote completo já são quase uma centena, a maioria deles às margens do Rio Negro, cujas águas mais ácidas afugentam naturalmente os mosquitos.

Manaus e Belém são as principais portas de entrada para os turistas que querem conhecer a floresta – a primeira é ponto de partida natural para os hotéis de selva, enquanto a segunda leva a refúgios que combinam a floresta com deliciosas praias fluviais, como a de Alter do Chão, Santarém. As duas capitais também seduzem os visitantes pelos vestígios da era de ouro da borracha, como seus teatros magníficos, e pela apreciada gastronomia que combina os mais saborosos peixes fluviais com frutas, pimentas e ervas que só existem na Amazônia.

Nos últimos dez anos, o número de visitantes no estado do Amazonas mais do que triplicou, passando de 283 mil visitantes em 2003 para 987 mil em 2013 (30% deles estrangeiros). No Pará, a evolução foi de 483 mil para 974 mil turistas nesse período (menos de 10% vindos do exterior). Em 2013, o movimento turístico injetou na economia de cada estado cerca de R$ 600 milhões, segundo estimativas dos próprios governos estaduais.

Como cidade-sede da Copa do Mundo, Manaus recebeu melhorias importantes nos últimos anos, entre elas a construção de um estádio, várias obras de mobilidade urbana e a ampliação do aeroporto e do porto. Belém, que ficou de fora do Mundial, continua crescendo no setor turístico com a atração de eventos para a cidade – principalmente a partir de 2007, quando inaugurou um grande centro de convenções. “Desde então foram construídos dez novos hotéis e a ocupação subiu de 40% para 60%”, informa o secretário de Turismo do Pará, Adenauer Góes.

O Plano Estratégico de Turismo do Pará, divulgado no final de 2011, tem como principal objetivo equipar o estado com infraestrutura para receber 2,15 milhões de visitantes em 2020, dos quais 350 mil estrangeiros, transformando-se assim no principal destino na Amazônia. Em fevereiro passado, o Pará ficou mais próximo dos visitantes do exterior com a inauguração de um voo direto da TAM entre Belém e Miami, duas vezes por semana. Agora, em junho, a capital paraense ganhará um voo com três frequências semanais para Lisboa, operado pela TAP.

Manaus, que também estará nessa rota da TAP, já havia sido beneficiada por dois voos internacionais em 2012, um para Miami, pela American Airlines, e outro para a Cidade do Panamá, pela Copa Airlines. O voo regular para Portugal, porém, será crucial para facilitar a vinda de visitantes europeus. “Muitos operadores que ainda não vendiam o Amazonas estão interessados em conhecer a nossa região. E os voos entre Manaus e Lisboa já estão lotados até agosto”, afirma Oreni Braga, presidente da Amazonastur, o órgão de promoção turística amazonense, que acaba de voltar de uma viagem de divulgação pela Europa. Em março último, a companhia portuguesa de cruzeiros Douro Azul anunciou outra boa notícia: vai investir 150 milhões de euros na construção de dois navios, que farão cruzeiros nas rotas Manaus-Iquitos (Peru) e Manaus-Belém, a partir do segundo semestre de 2016.

O Maranhão, que faz parte da Amazônia Legal apenas parcialmente, uma vez que boa parte do seu território é tomado por áreas de Cerrado e de Caatinga, deve muito pouco do seu turismo à sua porção amazônica. Seus grandes atrativos são as praias e prédios históricos de São Luís e, cada vez mais, o mar de dunas e lagoas dos Lençóis Maranhenses – mas quem sustenta mesmo os hotéis são os viajantes que vêm fazer negócios na capital, em Imperatriz (cortada pela rodovia Belém-Brasília e pelas ferrovias Norte-Sul e Carajás) ou em Bacabeira, onde a Petrobras implanta a gigantesca refinaria Premium I.

O Mato Grosso, que igualmente abriga outros dois biomas além da Floresta Amazônica, é um caso parecido: seus hotéis-fazenda no Pantanal e a as trilhas e cachoeiras da Chapada dos Guimarães (numa paisagem típica de Cerrado) são muito mais visitados do que os parques florestais no norte do estado. A capital Cuiabá também fica no Cerrado e vive um momento de ebulição turística pelo fato de sediar quatro jogos da Copa do Mundo. Também acaba de ganhar seu primeiro voo regular internacional, para Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia. Operado pela empresa boliviana Amazonas Línea Aérea, o voo será diário durante a Copa, em junho, e depois seguirá com três voos semanais.

Fonte: Valor Econômico

Deixe um comentário