Boia ondógrafo monitora os banzeiros do rio Negro em Manaus

A boia ondógrafo tem 1,5 metros de diâmetro e pesa 250 quilos (Foto: CPRM)

Os condutores de embarcações como navios, voadeiras e canoas que enfrentam os banzeiros, as ondas dos rios, já devem ter observado um grande objeto em forma de esfera de cor amarela ancorado na margem direta do rio Negro, em Manaus (AM). O equipamento é primeira boia ondógrafo instalada em água doce no mundo.

O equipamento foi instalado no dia 28 de maio no rio Negro por um grupo de instituições lideradas pela Rede de Monitoramento de Eventos Extremos da Amazônia (Reman) para monitorar a altura dos banzeiros e correlacionar os dados com as tempestades. O objetivo da pesquisa é emitir alertas à navegação e prevenir acidentes como os naufrágios, comuns na Amazônia.

A boia ondógrafo amazônica é de aço, tem 1,5 metro de diâmetro e pesa 250 quilos. É equipada com três sensores que medem a direção, período, frequência das ondas e a temperatura superficial da água, além de um rádio transmissor de dados e um GPS_ sistema de posicionamento global de navegação por satélite que fornece a posição e horário das condições atmosféricas em tempo real.

O projeto de instalação da primeira boia ondógrafo em água doce no mundo recebeu recursos de R$ 1,2 milhão da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e CNPQ, verba adquirida pela Universidade Federal do Amazonas. A execução do projeto é do Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam), do Serviço Geológico do Brasil (CPRM) e apoiada por 17 instituições de ensino, pesquisa, centros de previsão e defesas civis da Amazônia.

“Esse é o primeiro projeto absolutamente amazônico. São 70 pesquisadores que se juntaram para resolver os problemas da navegação da região”, afirmou à agência Amazônia Real a meteorologista e coordenadora da Reman, Jaci Saraiva, também integrante do Sipam.

De acordo com a meteorologista, a pesquisa com a boia ondógrafo pode criar um modelo conceitual de previsão do tempo para a segurança da navegação no rio Negro.

“Estamos falando do fenômeno de banzeiros que causam impactos gerados pelo vendo daquele momento. Então, estamos falando de uma previsão de curto prazo para o navio que está passando ali, para o pescador que passa ali. É uma previsão para evitar que um navio cheio de turistas vire por causa do banzeiro”, afirmou Jaci Saraiva.

A boia de banzeiros do rio Negro foi ancorada pelo técnico Eric Stoker, da empresa holandesa fabricante do equipamento, Datawell,em um local com 21 metros de profundidade, distante a 4 km de Manaus. O trecho de monitoramento fica entre a Ponte Rio Negro e a Praia da Ponta Negra. Para receber os dados transmitidos em tempo real pelo GPS do ondógrafo, o Serviço Geológico do Brasil (CPRM) instalou uma estação de recepção dentro do Estaleiro do Barbosa.

Na estação da CPRM, os dados são armazenados e analisados pelos técnicos, que emitem os alertas à Marinha, responsável pela Capitania dos Portos, órgão que faz a fiscalização fluvial.

Em países como os Estados Unidos e Portugal existem redes de boia ondógrafo desde a década de 80. Elas permitem medir a agitação marítima e a temperatura superficial da água em diversos pontos da costa.

“Nós temos apenas uma boia, por isso vamos fazer uma previsão localizada no rio Negro. É uma pesquisa para sabermos se a boia vai funcionar. Se der certo, e se for viável economicamente é possível que se invista numa rede dessas boias”, disse o pesquisador em geociências Andre Luis Martinelli Real dos Santos, gerente de Hidrologia e Gestão Territorial da CPRM.

Apesar de ter sido instalada apenas uma boia de banzerios do rio Negro, a Rede de Monitoramento de Eventos Extremos da Amazônia (Reman) e o Serviço Geológico do Brasil (CPRM) fizeram uma descoberta surpreendente. O ondógrafo mede as ondas formadas pelos navios e embarcações que trafegam pelo rio. Em período de enchente do rio Negro, essas ondas provocam mais inundações nas palafitas, que são as casas de madeiras que ficam nas margens.

“O oceanólogo Marcelo Parise, analista do Centro Regional do Censipam, responsável pela operação da boia, viu que dá para perceber a onda gerada pelas embarcações e a gerada pelos ventos. As ondas têm períodos diferentes. Então, a gente vai poder medir, inclusive, o impacto da onda feita pelos barcos. Isso é uma coisa muito interessante porque havia um grupo (de pesquisadores) mais cético que dizia que era dinheiro jogado fora, que (a boia) não ia funcionar”, afirmou a meteorologista Jaci Saraiva.

Por: Kátia Brasil
Fonte: Amazônia Real

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